Manejo de requeima e pinta preta da batateira


 


O professor da Universidade Federal de Viçosa, Eduardo S. G. Mizubuti, atua na área de fi topatologia – epidemiologia e manejo de requeima e pinta preta da batateira e tomateiro. O professor colaborou nesta edição da Batata Show expondo alguns resultados de suas pesquisas.


Quais foram os trabalhos desenvolvidos ou a desenvolver referente à produção de Batata?
Nos últimos anos temos trabalhado com vários aspectos relacionados ao desenvolvimento da requeima e da pinta preta. A requeima é causada pelo oomiceto Phytophthora infestans e a pinta preta pelo fungo Alternaria solani. Essas são as duas principais doenças foliares que afetam a batateira. O primeiro propósito do meu grupo de pesquisa foi conhecer as populações desses dois patógenos, pois somente após conhecer aspectos básicos da biologia desses organismos poderemos planejar ações mais efi cazes de controle. Em linhas gerais foram realizados estudos sobre:


• Estrutura genética das populações de P. infestans e de A. solani.


• Avaliação de desenvolvimento dos patógenos em diferentes condições ecológicas.


• Sensibilidade de isolados de ambos os patógenos a fungicidas normalmente usados no manejo das doenças.


• Desenvolvimento de epidemias de requeima e pinta preta e dos fatores que afetam esse processo: sobrevivência dos patógenos em condições de campo, quantifi cação de inóculo disponível para iniciar epidemias e a infl uência das variáveis climáticas na intensidade das doenças.


• Aplicação de sistemas de previsão para otimizar o controle químico.


• Alternativas para o manejo das doenças em sistemas de produção orgânicos, que não aceitam fungicidas químicos convencionais.


Quais os benefícios e resultados proporcionados ou que proporcionarão à produção de batata?
Acreditamos que a principal contribuição do nosso trabalho foi a geração de informações básicas referentes à requeima e à pinta preta nas condições brasileiras. Tal fato é importante pois sabe-se que a “importação” de “pacotes” desenvolvidos para regiões de clima temperado (Estados Unidos e Europa, principalmente) não condizem em muitos pontos com a realidade brasileira.


Quais sua sugestões de melhoria ou soluções para os problemas dentro da sua área de atuação?
É necessário maior integração entre os diferentes setores envolvidos para alcançar resultados mais rapidamente. Especificamente, a interação entre as universidades, empresas de pesquisa e o setor privado – sementes e agroquímicos – requer maior atividade. A promoção de um fórum ativo de discussões técnicas sobre assuntos relevantes aos problemas fi tossanitários da cultura da batata seria interessante.


Considerações
É necessário haver maior conscientização da importância da participação do setor produtivo em associações, como a ABBA, para que se possa criar demandas sistematizadas de trabalhos sobre os diferentes problemas fi tossanitários que afetam a cultura da batata. A exemplo do que ocorre em outros países, o setor produtivo, organizado em associação, participa efetivamente na defi nição de prioridades de pesquisa, seja infl uenciando dirigentes de órgãos públicos de fomento, seja alocando recursos próprios para essa fi nalidade.


Eduardo S. G. Mizubuti
mizubuti@ufv.br
Universidade Federal de Viçosa
Prof. Associado
Ãrea de atuação: Fitopatologia – Epidemiologia e manejo de requeima e pinta preta da batateira e tomateiro.


 

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