Batata-semente com qualidade. O que falta para sermos autosuficientes!!!

Engº Agrº José Francisco Tristão Presidente da COBATEC/SAA/SP


O Brasil desde a década de 80, vem trabalhando no sentido de possibilitar um sistema de certificação de batata-semente, onde o produtor é o principal interessado em produzir o seu material de plantio e com isto promovendo redução de custo de produção, possibilitando comercializar seu produto com preço competitivo a nível de consumidor. Durante muitos anos a Europa, foi e continua sendo um grande fornecedor de material básico para multiplicação. O Estado de São Paulo, forte importador desses tubérculos sementes com qualidade genética, oriundos de empresas com bom grau de conhecimento e pesquisa na cultura da batata, serviu-se de quantidades enormes desse material básico a custos elevadíssimos em dólar.



Plantas com sintomas de vírus


Com a necessidade de tentar-se reduzir custos, os produtores paulistas passaram a solicitar junto a entidade Certificadora Estadual, uma normatização que os atendesse quanto a qualidade desejada e quantidades suficientemente capazes de promover redução nas importações. Em 1995, iniciaram-se as primeiras discussões, tendo-se como base a Portaria MA nº 154/87. A COBATEC – Comissão Técnica da Batata da Secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, na vanguarda dos trabalhos, reuniu-se por vezes e convidou os produtores paulistas para partilharem dos debates. Foram mais de dois anos, reunindo-se e discutindo-se os critérios e procedimentos para se harmonizar os interesses do segmento produtor, pesquisa e certificador, finalmente em 1998, após ouvida a Comissão Estadual de Sementes e Mudas – CESM/ SP, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, publicou no Diário Oficial, e, São Paulo ganhou importante instrumento para produzir batata-semente das classes: básica, registrada e certificada.


Porém, a motivação dos produtores foi além do esperado e houve uma investida do segmento produtor, em produzir materiais de multiplicação mais elaborado, e, por volta do ano de 1999, iniciaram-se de forma embrionária, os primeiros plantios em “telados” utilizando-se propágulos limpos de vírus produzidos em laboratórios. Novamente, houve necessidade de se adequar as normas de produção de batatasemente básica, para poder contemplar àqueles produtores que investiram adequadamente em estruturas modernas, utilizandose de alta tecnologia em fertiirrigação, e, principalmente utilizando-se de plantulas indexadas através de Teste Eliza e livres de vírus.


Mais uma vez, a COBATEC/SAA/SP, reinicia todo o processo junto aos produtores interessados nesta modalidade de cultivo, e, novamente após ouvida a CESM/SP, complementa-se e cria-se as Normas Gerais de Produção de Batata-Semente Básica em Ambiente Protegido. Desta forma, o Estado de São Paulo passa a ser pioneiro nesta modalidade de cultivo e produção em ambientes protegidos amparados por legislação especifica, procurando propiciar ao segmento produtor meios e adequações para que possa-se cada vez menos necessitar de importações de batata- semente e produzir em território nacional materiais para plantio com excelente qualidade fitossanitária e genética.



Plantas afetadas por diferentes vírus

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