Dr. Octávio Almeida Drummond

Joaquim Gonçalves de Pádua
Pesquisador EPAMIG – FECD
C. P. 33 – CEP:37.780-000 – Caldas – MG.
padua@epamigcaldas.gov.br


Dr. Octávio Almeida Drummond (1912-2001), natural da cidade do Rio de Janeiro, formou em Agronomia em 1934 pela antiga ESA (hoje UFV). Foi professor nesta Instituição, ministrando aulas de Botânica, Horticultura e Fitopatologia e chefe do departamento de Biologia. Em 1949, deixou a UFV e ingressou no Instituto


Agronômico de Minas Gerais (IAMG), onde permaneceu até 1960. Com a extinção do IAMG, pelo então governador Israel Pinheiro, ingressou no Ministério da Agricultura, sendo designado para trabalhar nos laboratórios de Fitopatologia de Seropédica – RJ, do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas (SNPA) onde permaneceu até 1980, já como empregado da EMBRAPA, que substituíra o SNPA. Em 1981, retornou a Belo Horizonte, como pesquisador da EMBRAPA e à disposição da EPAMIG, onde conduziu pesquisas nas Fazendas Experimentais de Felixlândia, Maria da Fé, Lambari e nos laboratórios do antigo CIAP, atualmente do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), junto a CEASAMINAS, no município de Contagem.


Fez viagens de estudos e treinamentos em Fitopatologia nos Estados Unidos (Iowa, New York, Texas, Lousiana) e na Europa (Grã- Bretanha, Holanda, França), sendo o mais longo deles de um ano, na Universidade de Cambridge, onde trabalhou na Potato Experimental Farm. Participante ativo da Comunidade Científica dirigiu e participou de inúmeros eventos compartilhando suas experiências cosmopolitas. Participou da I Reunião de Fitopatologia que se realizou no país, em 1936, na sede do Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Participou da fundação do Herbário Micológico da UFV, que ajudou a organizar ainda quando estudante de agronomia. Foi um dos fundadores da Revista Ceres (UFV) e da revista PAB (EMBRAPA).


Em 1959, foi eleito presidente da Sociedade de Botânica do Brasil quando organizou o XI Congresso em Belo Horizonte. Em 1980 foi nomeado diretor da Fitotecnia do SNPA, quando organizou comissões nacionais de pesquisas por cultura e participou de várias comissões da batata. Recebeu várias homenagens, destacando-se algumas como o diploma da Sociedade Brasileira de Fitopatologia (Prêmio Arnaldo Medeiros) e a medalha de ouro da EMBRAPA (Prêmio Frederico Veiga). Em dezembro de 1996 foi homenageado pela Associação dos Bataticultores de Minas Gerais (ABAMIG), por ocasião do I Seminário Mineiro de Bataticultura, realizado em Pouso Alegre – MG.



A foto foi cedida pela família do Dr. Drummond, a qual foi tirada no Laboratório do IMA, em BH.


Desenvolveu trabalhos em várias linhas de pesquisas e em diversas culturas como algodão, amendoim, batata, cana-de-açúcar, citrus, girassol, mandioca, pinhão manso, sorgo, tomate e outras. Na cultura da batata desenvolveu inúmeros trabalhos no controle da requeima e da sarna pulverulenta, mas sua principal contribuição foi no estudo da murcha bacteriana (Ralstonia solanacearum) com a qual conduziu pesquisas desde a década de 30. Conhecedor dos graves problemas causados por esta bactéria, o Dr. Drummond construiu dois infectários, um na Estação do SNPA, em Seropédica – RJ (hoje PESAGRO) e outro em Lambari – MG, na Fazenda Experimental da EPAMIG, onde desenvolveu testes com rotação de culturas, aplicação de produtos químicos, resíduos orgânicos e métodos culturais. Desses estudos foram extraídas algumas observações importantes como a eficácia do uso de gramíneas em rotação com a cultura da batata ou da prática da inundação do solo, por um a dois meses, no controle parcial ou total da murcha bacteriana.


Além dos trabalhos de pesquisas, o Dr. Drummond contribuiu bastante na formação de técnicos e produtores, ministrando aulas e participando como palestrante em eventos diversos ou em contatos individuais com técnicos ou produtores sobre a produção da batata. Com uma grande determinação e entusiasmo pelas atividades que exercia, o Dr. Drummond dedicou a trabalhar, mesmo depois de aposentado, até os últimos dias de sua vida, desenvolvendo seus trabalhos com reduzidos recursos e muitas vezes percorrendo longos trechos de viagem, através de ônibus, com o interesse de acompanhar seus trabalhos de perto ou de auxiliar na resolução de novos problemas. Com humildade e seu jeito simples de viver cativava a todos à sua volta, transmitindo uma energia que serve de exemplo e admiração aos colegas de profissão. Dentre inúmeras contribuições literárias, o Dr. Drummond deixou-nos uma autobiografia, muita rica no detalhamento de experiências acumuladas ao longo de sua vida, a qual encontra-se publicada na Revisão Anual de Patologia de Plantas – RAPP (v. 5, p. 427-458, 1997) e à disposição na Biblioteca da EPAMIG, em Belo Horizonte.
 
 

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