Sobre o 13º Encontro de Virologia da Associação Européia para Pesquisas da Batata: um breve relato

José Alberto Caram de Souza Dias (Eng. Agr., PhD)
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fitossanidade,
APTA-Instituto Agronômico de Campinas (IAC) C.P. 28, CEP 13012-970, Campinas/SP
(19) 3241-5847, Ramal 363 jcaram@iac.sp.gov.br


De 17 a 22 de junho de 2007, durante a celebração do 50º Aniversário da Sociedade Européia para Pesquisas da Batata (European Association for Potato Research – EAPR), foi realizado o 13º Encontro de Virologia da Associação Européia para Pesquisas da Batata (13th EAPR Virology Section Meeting; www.eaprvirology2007.org.uk).



Com Dr. Harrison Dr. Salazar e Congressistas do Canadá, Paquistão e Alemanha


A sede do evento foi o Centro de Convenções do Hotel Hilton em Aviemore, na Escócia, sob organização do Scottish Agricultural Science Agency (SASA) e do Scottish Crop Research Institute (SCRI), tendo como presidente o Dr. Colin Jeffries (SASA), Estiveram presentes cerca de 70 congressistas (14 de outros continentes: Austrália, Ãfrica, Américas do Norte e Sul). A seguir, devido à limitação de espaço, relaciono alguns dos principais tópicos abordados nesse evento na forma de palestras e trabalhos apresentados (forma oral ou pôsteres). O leitor que se interessar em obter mais detalhes sobre os temas aqui indicados ou sobre a programação completa poderá contatar o autor através da ABBA .


Introdução
Foram 8 tópicos que constituíram a programação do evento: 1- Resistência; 2- Interação planta-virus; 3- Epidemiologia e controle de insetos vetores de viroses; 4- Impacto das mudanças climáticas na incidência e disseminação de viroses; 5- Questões de viroses de interesse não Europeu mas global; 6- Viroses veiculadas pelo solo; 7- Aspectos da Certifi cação e Quarentena; 8- Testes de diagnose.


Trabalhos por mim apresentados no evento.

1) Poderia o sistema inovador do broto/batata- semente ser uma maneira apropriada para explorar e preservar a baixa taxa de degenerescência viral na Região do Agreste Nordestino Brasileiro?; Souza-Dias, Jose Alberto Caram de (1); Gilvan Pio-Ribeiro (2); Genira Oliviera (3) Edson Batista Lopes (4);Monica Holanda Cavalcanti (5); (1) Phytosanitary Center R&D/Virology- IAC/APTA,Cx. Post. 28, 13020-902, Campinas, SP (Brazil); (2,3) Plant Pathol. Dept. UFRPE; (4) EMBRAPA/ EMEPA; (5) Agric. Secretary, Caruaru, PE.


2) PVYNTN no Brasil: Occurrência, impacto e characterização; Sawazaki, Haiko E (1); Souza-Dias, J A.C (2); Miranda Fo., H.S (3); (1,2,3) APTA/Instituto Agronômico de Campinas (IAC); (1) CPDRGenVegetal; (2) CPDFitossanidade (3) CPDHortaliças


3) Tomato severe rugose virus (ToSRV): Primeiro relato de outro emergente Begomovirus causador de sintomas de mosaico deformante em batatais na região de Campinas, SP, Brasil; Souza-Dias, José Alberto Caram de (1); Sawazaki, Haiko Enok (1); Miranda-Filho, Hilário da Silva (1); Maluf, Haissar (2); Arikita, Heitor (3); (1) (2) Cercina Com. Batata. Mte Mor-SP. (3) Grupo Ioshida, ITAI, SP; Apoio Fundag.


Palestra de abertura

• Dr. Bryan Harrison (SCRI, Dundee, Reino Unido): Cinquenta anos de pesquisas com viroses da batata: conquistas e mudanças consideradas.
• Dr. Paulukaitis (Reino Unido): Aumento de resistência natural a alguns vírus através do silenciamento do gen da RNApolimerase 1.
• Dra. Hanne Grethe Kirk (Dinamarca): Resposta varietal à sarna pulverulenta e ao vírus mop-top da batata – Potato mop top vírus – PMTV.
• Dr. Jim Crosslin (WA, EUA): Sintomas foliares do Tobacco rattle vírus (TRV) em Washington e Oregon, EUA, e avaliação de germoplasmas resistentes ao vírus.
• Dr. M. Rolland, apresentada por Emmanuel Jacquot (França): Impacto da aquisição de propriedades necróticas na adaptação do Potato vírus Y (PVY).
• Dr. Johnathan Whitworth (EUA): Reação de Cultivares Norte Americanos às estirpes necróticas do PVY.
• Dr. Rudra Singh (Canadá0, apresentada pelo Dr. Neil Boonham (Reino Unido): A nomenclatura de estirpes do Potato vírus Y infectando a batata.
• Dra. Lesley Torrance (Reino Unido): Viroses da batata transmitida pelo solo com referência particular ao vírus mop top – Potato mop top vírus – PMTV).
• Dr. Triona Davey (SASA, Escócia): Solo: a principal fonte de infecção para o Potato mop top vírus – PMTV.
• Palestra Dr. Finlay Dale (Reino Unido): Detecção e controle do Tobacco rattle vírus – TRV, no Reino Unido.
• Dr. K.A. Evans (Reino Unido): Detecção do Tobacco rattle vírus em nematóides Trichodoride e mudanças na população de Trichodoride na última década. Efeito de mudanças Climáticas nos vetores de viroses da batata
• Dr. Richard Harrington: Vetores e Viroses em um mundo mais quente.
• Dr. Rolland Sigvald (Suécia): Prevendo disseminação do PVY com armadilhas de sucção.
• Dr. Luis Salazar (AGDIA, Inc.- EUA): Aspectos globais das viroses da batata.


Outras pesquisas apresentadas que podem ser de interesse para a bataticultura brasileira:

• Dr. Juan Alvarez (EUA): Importância de plantas hospedeiras alternativas na epidemiologia do PLRV e PVY. PVY na Holanda
• Dr. René A.A. van der Vlugt (Holanda): Estirpes do vírus Y (PVY) na bataticultura da Holanda.
• Martin Verbeek: “Afídeos vetores e a transmissão de estirpes do PVY. Viroses da Batata no Canadá
• Dr. Huimin Xu: Situação das viroses da batata no Canadá. PVY na Alemanha
• Dr. K. Linder (Alemanha): Estirpes do PVY na Alemanha – período de 1984 a 2006.

Técnicas de Diagnose de viroses na batata
Continua-se apontando as técnicas de diagnose molecular, PCR, principalmente com efi ciência de mais de 4 vezes sobre o ELISA na detecção de viroses em tecidos de folha e tubérculos de batata. Entretanto, começa-se a destacar os kits de diagnose rápida (em minutos) para serem levados e operados em campo.
Os trabalhos apresentados com ênfase em técnicas de diagnose podem ser resumidos na palestra apresentada pelo Dr. R.A. Mumford (Central Science Laboratory -Reino Unido). O palestrante apontou que enquanto o desenvolvimento de novos métodos de diagnose têm sua importância, é o aspecto além do teste em si que faz a diferença entre o sucesso e o insucesso de um determinado tipo de teste em uso na rotina ou não.


Visita técnica
Visitamos, no dia 22 de junho, as dependências administrativas, bem como laboratórios e estufas da Scottish Agricultura Science Agency (SASA), na cidade de Edinburgh. Visitamos também uma área de campo do SASA com mais de 20 há de canteiros para educação e treinamento dos inspetores de campo de produção e certifi cação de batatasemente.



Com Dr. Palukites e Dr. Bryan Harrysson EAPR Virology 2007, Escócia


Com Dr. Salazar e Dr. Gugerli – EAPRVirology 2007, Escócia


Conclusão
Os três trabalhos que apresentei nesse congresso tiveram boa repercussão, baseado nas várias perguntas feitas e pela expressão de apreço ao entusiasmo manifestada por alguns, quanto ao trabalho referente à proposta de aplicação da tecnologia do broto/batata-semente para explorar a produção de batatasemente básica na região do Agreste Nordestino e, ao mesmo tempo, preservar a alta sanidade a vírus que vem sendo observado (há 16 anos). Recentemente, recebi solicitação da fotos da minha apresentação e dos trabalhos que venho realizando com brotos na produção de batata-semente para palestra da congressista Dra. Sheila Motimr- Jones (Mursoch University-Austrália, S.Mortimer-Jones@murdoch.edu.au).
O trabalho que apresentei sobre geminivirus infectando batata e causando mosaico deformante das folhas foi de grande interesse, principalmente pelo Dr. Colin Jeffries, o qual solicitou-nos envio de DNA para testes de desenvolvimento de kits de diagnose . Tive oportunidade de conversar com Dr. Harrison sobre minhas observações da possível ação vetora da mosca branca (Bemisia tabaci) também do PLRV. Dr. Harrison chamou-me a atenção para o fato de que B. tabaci mantêm relação com geminivirus do tipo persistente/ ciculativa e que a mesma endobactéria gênero Buchanera, presente e responsável pela relação persistente/circulativa do PLRV com o pulgão Myzus persicae, é encontrada na Bemisia tabaci, o que portanto não seria totalmente impossível a transmissão do PLRV por mosca branca.


Agradecimentos
Agradeço à Associação Brasileira da Batata (ABBA), através do colega Eng. Agr. Natalino Shimoyama, que junto com a diretoria dessa instituição nos concedeu apoio para participação nesse congresso.

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