HOME BREEDING

Pedro Hayashi – Agrícola Pirassu
Sócio Proprietário – R. José Bonifácio, 530 – sala 6
CEP 13880-000 – Vargem Grande do Sul-SP
(19) 3641.6201 / pirassu@terra.com.br


O melhoramento genético é a base de muitas atividades humanas. Não podemos pensar em agricultura ou pecuária sem imaginar em melhoramento genético. Se olharmos para os cães, uma das primeiras espécies a ser domesticada e compararmos as várias raças que temos, ou ainda, compararmos um Poodle com o lobo, o ancestral da espécie, ficaremos realmente impressionados.


A seleção de variedades de batata começou provavelmente muito antes de a América ser explorada pelos europeus. Sendo a base da alimentação das civilizações antigas das Américas (Moche, Chimú, Inca), naturalmente havia uma seleção das espécies que produziam os melhores tubérculos, sem falar ainda da dificuldade em separar os comestíveis dos venenosos. Outro fato interessante relacionado com o melhoramento foi o fato da perda de produtividade causada por vírus. Antes do conhecimento sobre a existência dos vírus em batata, descobriu-se que plantas originadas de semente botânica não sofriam o mal da “degenerescência”. Isto também contribuiu para que novas variedades fossem produzidas.
Em muitos países é bastante comum a figura do home breeder, ou hobby breeder, que poderia ser traduzido como melhorista doméstico ou melhorista por hobby. Em uma viagem à Holanda tive a oportunidade de acompanhar o trabalho de uma grande empresa produtora de sementes e variedades de batata. Chamou-me a atenção o trabalho feito pelos produtores que ajudavam no processo de seleção de novas variedades de batata. Essa empresa fazia os cruzamentos, e doavam as sementes botânicas para alguns produtores, que realmente tinham talento para conduzir todo o processo. Existem os produtores que também fazem seus próprios cruzamentos e a seleção. Normalmente, os clones que apresentam alguma qualidade são vendidos para as grandes empresas.


Em qualquer bate-papo com produtores um assunto sempre abordado é nova variedade. Como produtor, já testei com certeza mais de uma centena de variedades estrangeiras. Posso concluir que, aquilo que é bom em outro País, pode não ser aqui em nossas condições. É bastante lógico que o processo de melhoramento genético deve ser feito no local onde vai usar este material, mas ainda continuamos a testar variedades estrangeiras, selecionadas em solos diferentes dos nossos, temperatura diferente, luminosidade, foto período, pragas, doenças etc. Tenho visto variedades estrangeiras altamente susceptíveis ao PVY que, com certeza, em seu País de origem não teria problemas, pois a pressão de afídeos não é constante durante todo o ano, como ocorre no Brasil.


Refletindo sobre tudo isto, e lembrando que não existe, até o momento, uma variedade brasileira que seja expressiva em nosso mercado, resolvi cruzar e selecionar batatas. Quem plantabatata praticamente o ano todo, possui telado para produção de minitubérculos e planta em vários locais, é fácil usar o tempo ocioso para praticar este hobby. O nosso clima, apesar de parecer difícil para a produção de batata, apresenta vantagens para o trabalho de melhoramento.


É possível, por exemplo, fazer um cruzamento, plantar as sementes botânicas, e colher os primeiros tubérculos no mesmo ano. Isto seria impossível para um país com inverno rigoroso sem usar sistema de climatização.


Antes mesmo da seleção dos parentais, é preciso ter os objetivos claros do que quer atingir com este trabalho, mesmo sendo um hobby. Outro fato interessante é que todo melhorista quer obter uma variedade resistente (a todas as doenças), ter boas qualidades culinárias (também para todos os fins), ser produtiva, etc. Mas, na prática, podemos verificar todas estas características, mas o grande problema é que tais qualidades estão dispersas em vários clones.


Seguindo linhas diferentes, o que tento buscar variedades (clones):
– Com boas qualidades culinárias ou industriais. Não podemos dispor de variedades produtivas que, aos poucos, leva o consumidor a diminuir o consumo por sua baixa qualidade.
– Resistência à maioria das doenças e pragas frequentes em nossas condições, que possam afetar os custos de produção e comprometer a produtividade.
– Ter produtividade melhor que as existentes. Neste caso, é claro, que o ciclo vegetativo deve ser estendido, sem, no entanto aumentar os custos (irrigação, controle fitosanitário).
– Tenha as condições necessárias para o cultivo “orgânico”.
– Adaptação as nossas condições de clima e sistema de cultivo.


ESCOLHA DOS PARENTAIS
A escolha se baseia nas características positivas e sua possível transferência para os descendentes.
Muitas vezes, esta expectativa não ocorre, obtendo família de cruzamento de bons parentais com características que não atendam nossas necessidades. Com o cruzamento de algumas variedades existentes, e o plantio dos descendentes, podemos verificar quais materiais podem gerar materiais interessantes para o nosso trabalho.


Nesta linha é interessante notar que algumas variedades de grande sucesso como a Binjte, deixaram poucos descendentes de sucesso, por outro lado a variedade Agria é hoje uma das campeãs como parental de variedades holandesas (Markies, Ramos, Lady Claire, Fontane, Victoria).


Também como parentais, podemos usar clones prontos, produzidos por entidades especializadas (CIP – Peru) que transmitem características pré–determinadas para os descendentes. Mas são de difícil obtenção para os melhoristas amadores. Ainda na busca de parentais podemos usar espécies selvagens ou primitivas, cujo grande inconveniente seria dificuldade de cruzamento, obtenção de tubérculos de formatos indesejáveis e concentração elevada de substâncias tóxicas (Glycoalcaloides), que além de venenoso dá ao tubérculo sabor desagradável, havendo a necessidade de cruzamentos sucessivos para aproximar de produto desejável.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Problemas para se trabalhar em um programa como este, seria a falta de espaço, tempo para se dedicar e custos. Para manter este trabalho, a eliminação de clones é muito maior que um programa de melhoramento oficial, não seguindo as regras. Isto é feito para não ter grandes volumes de material que não possa ser comercializado. Todo o material que possui um volume significativo, já passou pelo crivo da qualidade, portanto possui qualidades suficientes para ser comercializado ou doado. Sempre tentando obter retorno sobre o comportamento, qualidades e defeitos destes materiais. Um programa completo de melhoramento normalmente é feito sobre 100.000 clones, e uma expectativa de 12 a 25 anos para se ter uma variedade.
Hoje trabalho com cerca de 15.000 sementes verdadeiras por ano, mas o plantio é de apenas 3.000. A seleção é feita durante o processo de multiplicação das sementes. As fases são as seguintes:
– Cruzamento (telado)
– Semente botânica (telado)
– Primeiro plantio (campo de minitubérculos)
– Segundo plantio (campo de semente básica)
– Outros plantios são feitos em campo comercial.


Grande parte do descarte ocorre a partir do segundo plantio (semente básica), onde cerca de 90% dos clones são eliminados. Trabalhar com pequenas quantidades como esta pode ocorrer a eliminação de uma “família” (cruzamento). Para cada clone é mantida uma pequena amostra (back up), em telado ou “in vitro” para que não se perca este material por acidentes, furtos, doenças, etc.


Talvez este trabalho nunca chegue a um resultado prático, mas nos leva a conhecer um pouco melhor a batata. Também admirar esta espécie única com uma variabilidade genética tão grande que seria possível selecionar variedades para todos os gostos e finalidades.



  Bagas polinizadas, de onde se retiram as sementes botânicas


  Polinização


  Matrizes em floração


  Clone de primeira geração em campo


 

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