Caruaru (PE) e Esperança (PB): Redutos para a Tecnologia APTA-IAC do Broto/Batata-Semente na Produção de Batata-Semente “Classe Básica”

José Alberto Caram Souza Dias, Eng. Agr., PhD, pesquisador científico virologista, CPD
Fitossanidade/APTA-Instituto Agronômico de Campinas (IAC). jcaram@iac.sp.gov.br
fone: (19) 3241.5188, ramal 363 Apoio: FUNDAG proc.13-002/93



Vista de uma plantação de batata na Paraíba, variedade Monte Bonito aos 45 dias do plantio. Menos de 5% de viroses (mosaico Y) e alta sanidade geral. Plantada com batata-semente própria, com mais de 13 gerações sucessivas (“F-13”). Inacreditavelmente sadia após 13 gerações da semente selecionada apenas pelo tamanho (escolhe os pequenos) para comercializar os mais graudos. Não se faz seleção nenhuma visando sanidade.


Trata-se de uma idéia revolucionária para o conceito de produção de batata- semente básica no Brasil. O estopim dessa revolução tem como local: regiões batateiras dos estados de Pernambuco (PE) e da Paraíba (PB); como elemento deflagrador: Transferência da Tecnologia APTA-IAC do broto/batata-semente (www.tecnologiasocial.org.br; Batata Show, 5 (12):7, 2005 ; Cultivar 2(9):8-11, 2001; Agronômico, Campinas, 53(1):31. 2001). São dois Estados do Nordeste com tradição na bataticultura. A história da batatinha na Paraíba, região de Esperança, é primogênita à de Pernambuco, região de Caruaru, conforme contada por Fábio Cesar (EMATER – PE) no site http://www.dpnet.com.br/anteriores/1998/03/02/interior7_0.html.


Preservar a alta sanidade da batata- semente (baixa taxa de disseminação de viroses) e mudar o destino da produção (novo foco de mercado), são dois dos aspectos marcantes, de caráter sanitário e econômico, a serem considerados nessa proposta. Esses dois aspectos estão embutidos na tecnologia inovadora do broto/batata- semente, que prima pela simplicidade, mas que não havia sido ainda considerada para a região Nordeste do Brasil (Lopes; Silva & Moura, EMEPA- PB. Circ. Tec. 07, 1996, 61p).


No aspecto de preservação da sanidade, temos registrado desde 1990 (Suplemento Agrícola / Notícias da Terra, do jornal O Estado de São Paulo, 12/12/1990, No. 1833, Ano XXXIV, pág. 8), a surpreendente ausência de viroses em lotes de “batata-semente própria”, produzidos por produtores locais e replantados por mais de 13 anos em sistema de plantio anual, sob cultivo quase orgânico, isto é, sem nenhum ou mínimos tratos fitossanitários.


Fato inacreditável particularmente pelos bataticultores das regiões de maior produção no Brasil, localizados no sul e sudoeste, tradicionais produtoras de batata-semente no país, onde mais 15 a 20 pulverizações de defensivos são aplicadas na produção de batata-semente, durante o ciclo.
Tais condições naturais de alta sanidade e praticamente ausência de viroses em batatais das regiões de Caruaru (PE) e Esperança (PB), continuam a existir, passado 16 anos daquela observação. Isso ocorre certamente por ser o plantio de batata feito apenas uma vez ao ano (Maio, início das chuvas), após longo período de estiagem (cerca de 7 meses) e verão rigoroso. Condições agro-climáticas opostas às dos países da Europa (Holanda, Alemanha, Suécia, Escócia) e América do Norte (Canadá), tradicionais exportadores de batata-semente, também uma vez ao ano (Maio, geralmente), mas após Inverno rigoroso e neve, contribuindo também para a redução de plantas hospedeiras de vírus e seus insetos vetores. Pudemos constatar e discutir essas observações em visitas feitas com colegas especialistas da região de Pernambuco: Prof. Dr. Gilvan Pio Ribeiro, Dra. Genira Pereira de Andrade (UFRPE); Dra. Maria Cristina L. da Silva e Dr. Jair Teixeira Pereira (IPA); Engª. Agra, Mônica Holanda Cavalcante (Sec. Munic. Agric. de Caruaru); e da região da Paraíba, Dr. Édson Batista Lopes (EMBRAPA / EMEPA).


No aspecto de mudança do destino da produção, propomos que deixe de ser direcionado ao mercado consumo (in natura ou processamento), onde o maior valor do produto é para tubérculos mais graúdos, de tamanho tipo 1 ou especial (>70 cm diâmetro). Essas exigências de mercado são supridas com muito mais eficiência pelas produções de outras regiões do nordeste e centro-oeste, particularmente a Chapada da Diamantina-BA e Cristalina- GO.


Passaria então a produção de batata dos estados de PE e PB a ser direcionada para o mercado de semente (batata-semente), especialmente da classe básica. Mercado esse mais valioso e diferenciado; onde a competição é feita pela sanidade e unidade de tubérculos de tamanhos menores, geralmente tipo 2 ou 3. Assim sendo, a competitividade é maior para a bataticultura de PE e PB, pois é justamente esse tipo de produção que se observa nessas regiões, com mínimos tratos fitotécnicos e fitossanitários.



Plantação de batata em Caruaru-PE. Dra. Monica H. Cavalcante, Secret. da Agricultura de Caruaru-PE em visita à lavoura de batata cv. Monalisa do produtor. Plantio feito sem aplicação nenhuma de defensivos. Alta sanidade e ausência de pulgão, mosca branca e outros insetos vetores de viroses, aos 50 dias do plantio. Presença de plantas de Datura stramonium (indicadora de PLRV) e Physalis sp (indicadora de PVY), crescendo voluntariamente entre as plantas desse batatal mostravam-se sadias e livre de insetos.


Proposta de transferência da tecnologia da broto/batata-semente:
A tecnologia APTA-IAC do broto/batata- semente está sendo proposta para esse novo conceito de produção de batata-semente nas regiões dos estados de PE e PB, pelas vantagens que oferece, tais como: menor custo de obtenção do propágulo (semente); menor custo de frete e maior rapidez no transporte; menor risco de movimentação de microorganismos associados ao solo e causadores de doenças ou danos na epididerme e/ou pecuária; menos mão-de-obra especializada no plantio e condução das plantas desenvolvidas de brotos dentro de telados, comparado a propágulos (mudas) de cultura de tecido.


Os brotos que forem destacados de caixas de batata-semente básica (importada ou nacional), da mais alta sanidade, serão enviados das regiões produtoras de batata-semente do Sul e Sudoeste (portanto, distantes cerca de 3 a 4 mil km) via correio expresso (aéreo) para a Pernambuco (PE) e/ou Paraíba (PB). Esses brotos serão inicialmente recebidos por produtores ou entidades de pesquisa como IPA (PE) ou EMEPA (PB). Aspecto importante a se considerar no cultivo em telados dessas regiões é a salinidade da água de irrigação/fertilização. Trabalhos de dessalinização (como osmose reversa) poderão ser considerados, dependendo de custo/benefício. Os minitubérculos produzidos dentro dos telados (cerca de 75 a 80 dias após plantio dos brotos), ficarão armazenados em câmara fria disponíveis) até o plantio em campo na região, no ano seguinte (visando produção de batata- semente básica). Essa produção poderá ser direcionada para atender a demanda de batata-semente da própria região do Nordeste como também de outras regiões do País e do exterior, com vantagens de custo menor em relação ao produto importado.



Dr. Caram em visita a produtores de Batata na região de Esperança-PB em companhia do Dr. Edison B. Lopes (EMEPA).

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