Nosso pai, Jeobert Antonio Beloni, fi lho de
Hélio Beloni e Maria Bedin Beloni, nasceu
em 28 de abril de 1.941, em Vargem Grande do Sul/SP.
Logo quando bem novinho já tinha vocação
para ser uma “fi gura”. O fi lme “O
Cangaceiro”, ganhador do festival de Cannes,
foi gravado em Vargem Grande e o meu pai, mais
um primo,
o Vardinho, iam levar marmita para o vô
Hélio quando passaram em frente ao set
de gravação do fi lme e foram convidados
para fazer uma ponta em troca de um dinheirinho.
Ficaram esperando para gravar e realmente apareceram
no fi lme, num momento quando a tropa de Lampião
chega galopando na cidade, e os dois passam
correndo na frente dos cavalos, junto com um monte
de galinhas. O problema foi que, para fazer essa
gravação, eles tiveram que esperar
muito tempo e acabaram chegando com as marmitas
umas três horas atrasado e acabaram levando
uma surra.
Aos 12 anos começou a trabalhar prá
valer em uma fabrica de móveis, onde aprendeu
o ofício de carpinteiro. Aos 14, começou
na ofi cina do meu avô, que era uma marcenaria
especializada em conserto e fabricação
de carroças. Logo no começo assumiu
o comando e se tornou responsável pela
mesma. Logo, além de carroças,
começou a fabricar carrocerias de caminhão
e se tornou bem respeitado na região.
Paralelamente ao trabalho, sempre foi muito ativo.
Fez parte da primeira equipe de natação
de Vargem Grande, ganhou várias medalhas
para a cidade. Para nadar tinha que acordar às
4h30 para dar tempo de treinar e não se
atrasar para o trabalho. Gostava muito de música,
fazendo parte da banda da cidade, onde tocava
trombone.
Aos 25, se casou com Maria da Glória Nogues
Beloni, fi lha de Carmelo Nogues Canhedo, com
quem teve 3 fi lhos, Adriana, Fernando e Carmelo.
Após uns dois anos de casado, seu Carmelo,
que já era “batateiro” nos
municípios de São Sebastião
da Grama, Itobi e Jacutinga, chamou nosso pai
para trabalhar com ele e aí
começou sua carreira de “batateiro”.
Naquela época, só se plantava na
Serra, batata das águas e da seca. Era
tudo arado de boi, plantado na mão, pulverizado
com aquelas bombinhas costais motorizadas da Hatsuta
e arrancado na enxada.
Não tinha batata lavada e eles as guardavam
nuns “ranchos” no meio das lavouras,
tudo a granel. Como lá na Serra é
bem fresco, a batata agüentava um bom tempo.
Paralelamente a isso, nosso pai tinha um gado
de leite, na época em que leite era bom,
e plantava também umas cebolas de “ameia”,
e também teve uma lavourinha de café,
que fez tanta raiva nele que falou que nunca mais
plantaria na vida.
Em meados da década de 70 começou
a plantar a batata “temporona” no
“campo”. Por alguns anos, arrendou
do Carlitão áreas na Fazenda Campo
Vitória. Depois plantou no Dr. Miachon,
no Longuini, sogro do Fernando Milan, e em várias
áreas. Foi produtor de semente por muito
tempo e fornecia para quase todos os
produtores de Vargem, na época. Foi muito
feliz neste período e teve um crescimento
profi ssional muito grande.
Em 1.983, ele e seu Carmelo compraram a Fazenda
São Jorge, uma fazenda muito boa, em Casa
Branca e, em 1.984 foram pioneiros em montar um
dos primeiros pivots centrais da região.
Foram muito felizes com a aquisição
desta propriedade. Em 1.995 compramos em Patrocínio/MG
e paramos de plantar batata das águas na
Serra. Agora, toda batata das águas seria
plantada em Minas.
Hoje, contamos com propriedades próprias
e arrendadas. Plantamos 600 hectares de batata,
1.700 hectares de grãos, e temos 500 hectares
arrendados para cana. Temos 14 pivots centrais,
com uma área irrigada de aproximadamente
850 hectares. Mas, o que possuímos de mais
importante é o prazer de ter tido o Jobé
Beloni como pai.
Uma pessoa muito querida por todos, muito humilde,
com amigos espalhados por todo o Brasil, trabalhador
incansável, sãopaulino roxo, que
viveu a vida com uma intensidade muito grande,
nos ensinando a trabalhar e a ser honestos, e
deixando muita saudade em todos e muita história
pra contar.
Irmãos Beloni |