Batata Show Nº 18
Ano 7 - Agosto/2007
 
 

 

 

 

 

 

 

Carta ao Leitor
A batata e o aquecimento global

Alguns podem achar exageradas as notícias sobre os efeitos do aquecimento global para a agricultura brasileira, mas é bom que os batateiros comecem a pensar mais seriamente no assunto. Originada de climas frios dos Andes, a batata necessita temperaturas baixas, pelo menos durante a noite, para tuberizar satisfatoriamente.

Imaginemos, então, que se concretizará um aumento de 20C a 30C na temperatura da terra a cada 50 anos. Onde e em que meses do ano estaremos ainda plantando batata no Brasil no final deste século?
Esta análise já vem sendo feita para algumas espécies de plantas e em breve teremos a situação da batata.
Por exemplo, estudos realizados na Embrapa Informática Agropecuária, em Campinas, indicam que, se nada for feito para amenizar o problema de aquecimento global, a atividade cafeeira perderá quase 50% da área plantada nos próximos oito anos. Isso é esperado principalmente em função de défi cit hídrico em regiões montanhosas, onde também se planta alguma batata.

Ocorrendo o aumento da temperatura nessas proporções, mesmo que não de forma tão drástica como
para a cafeicultura, a ameaça maior recairá sobre os batateiros da Chapada Diamantina, pois os estudos
da Embrapa indicam que, no Brasil, os efeitos maiores do aquecimento global serão observados na Região
Nordeste. Ressalta-se que é exatamente nesta nova fronteira que são obtidas as melhores produtividades
da batata, graças ao grande investimento em tecnologia e visão empresarial dos produtores. De “barbas de molho”, devem também fi car os produtores da região dos Cerrados, com situação apenas um pouco melhor que a do Nordeste. Por outro lado, as lavouras mais altas de Santa Catarina terão maior sobrevida, embora as épocas de plantio devam sofrer mudanças.

Produção e produtividade à parte, há que se considerar ainda a ameaça crescente de algumas doenças de alto poder destrutivo que são favorecidas por altas temperaturas, tais como a murchadeira (Ralstonia solanacearum) e canela-preta/podridão- mole (Pectobacterium spp.). Se servir de consolo, espera-se que a
requeima - que é favorecida por baixas temperaturas - se torne menos agressiva.

E fi ca aqui a dúvida sobre a efetividade das medidas a serem tomadas com urgência: investir pesado
na redução das complexas causas do aquecimento global ou nos prepararmos para sua inexorável chegada, com cultivares resistentes ao calor e ao défi cit hídrico, a serem planejadas desde já nos programas de melhoramento genético. Ou tomamos providências ou daqui a pouco estaremos comendo, em vez de batata, batatadoce e mandioca, raízes tuberosas bem mais adaptadas a climas quentes. Ou, quem sabe, consumindo batata pré-frita importada do Alaska.

 
 
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