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Oportunidades do amanhã no Agronegócio
da Batata
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| Prof. Dr. Joseph Guenthner |
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Dr. Jose Alberto Carm de Souza Dias |
Palestra apresentada pelo Prof. Dr. Joseph Guenthner,
no Encontro de Batata, realizado na Universidade de
Idaho, EUA, Setembro, 2006. Traduzido sob permissão
do autor, por José Alberto Caram de Souza Dias,
Eng. Agr. PhD, Pesquisador Científico do Centro
de P&D Fitossanidade do IAC/APTA.
jcaram@iac.sp.gov.br. Obs.: Notas do tradutor (NT) em
itálico.
INTRODUÇÃO
O agronegócio da batata em Idaho enfrenta novas
e excitantes oportunidades no mercado global. Uma das
forças que criam oportunidades novas é
a popularidade crescente da batata no mundo todo. Nos
últimos 25 anos, o consumo mundial de batata
subiu de 240 (1980) para 330 (2004) milhões de
toneladas, um aumento de quase 40% (Figura 1).
Três categorias de oportunidades de agronegócios
são abordadas nesta apresentação:
(1) Potencial de novos mercados em termos de localidades
e ciclos de vida das variedades; (2) Novos modelos de
negócios que estão emergindo; e (3) Apresentação
e comentários sobre novas tecnologias, incluindo
o ressurgimento de batatas genéticamente modificadas
(NT: transgênicas).
NOVOS MERCADOS LOCALIDADES
Algumas localidades na Europa consomem mais
batatas do que em outras partes do mundo (Figura 2).
Conforme dados do Centro Internacional da Batata (CIP,
Peru), em todas as partes do mundo,
as pessoas vão comer mais batata até o
ano 2020: Na Europa, 80 kg per capita; Na Austrália,
Nova Zelândia e América do Norte, 35-40
kg. O mais rápido crescimento percentual (3%)
será nos países em desenvolvimento. Na
China e Índia, é esperado um crescimento
de 2,8 e 3,8% no consumo anual de batata, respectivamente.
Lanchonetes e restaurantes de serviço rápido
(“fast food”) têm ajudado a tornar
mais popular a batata congelada a nível mundial
Decorrente desse fato, China e India estão importando
mais fritas congeladas.
VARIEDADES
Como outros produtos comerciais, as novas e bem sucedidas
variedades da batata também seguem o chamado
ciclo de vida do produto - CVP (“Product life
cycle - PLC”), apresentando 4 fases distintas:
Introdução; Crescimento; Maturidade e
Declínio.
A fase da introdução: Pode levar vários
anos até que uma nova variedade venha a ser reconhecida
e aceita no mercado. A fase do crescimento: É
quando a variedade se torna popular; mas a fase de maturidade
é alcançada eventualmente, quando o crescimento
retarda e para. A fase do declínio: Quando o
mercado dessa variedade encolhe.
Tanto produtores de batata-semente como de consumo,
podem achar mais rentável produzir variedade
que estão com seu CVP na fase de crescimento.
Quando o mercado para uma variedade começa a
se amadurecer e declinar pode estar na hora de mudar
para outras variedades. Em Idaho, no ano de 2005, os
produtores plantaram 53 variedades diferentes da batata.
As 6 mais populares eram: (1) Russet Burbank, (2) Ranger
Russet, (3) Norkotah, (4) Western Russet, (5) Frito-Lay
e (6) Shepody. Naquele mesmo ano, em nível de
EUA, foram plantadas 284 variedades de batata e as 6
mais eram: (1) Russet Burbank, (2) Norkotah, (3) Frito-Lay,
(4) Ranger, (5) Norland e (6) Shepody.
A Russet Burbank, com o mais longo CVP (criada em
1874), está na fase de declínio. Nos últimos
anos, o plantio dessa variedade declinou em média
10%.
Norkotah (1987) apresentou declínio de12% em
2005. A Ranger (1991), declinou 9%. Burbank Russet,
Norkotah e Ranger são todas variedades do tipo
“pele morena”. Uma variedade desse tipo,
que teve um aumentou acima de 10% no plantio em 2005
foi a variedade Umatilla (1998).
Entre as variedades com aumento de 1% e 5% na área
plantada em 2005, destacou-se a de pele vermelha Red
Norland (1957) e a de pele dourada Yukon Gold (1981),
respectivamente.
O direito de proteção de variedade (DPV)
permite que a variedade seja um produto (propriedade)
particular. O DVP tornar-se-á, cada vez mais,
importante com o surgimento de novas variedades. No
fim de 2005, havia um total de 200 registros de solicitações
de DPV de batata nos EUA, sendo 40% de empresas dos
EUA e as demais da Europa. Algumas universidades transferiram
a licença (NT: venderam os direitos de proprietárias)
de algumas variedades de batata a outras entidades ou
empresas. As novas variedades protegidas fornecerão
oportunidades de introdução de produtos
com a marca da variedade, agregando valor em todos os
segmentos do agronegócio, até o consumidor
final.
NOVOS MODELOS de NEGÓCIOS
Produtor Global.
O número de fazendas de batata tem estado em
crescimento, por décadas. Alguns
produtores dos EUA já se tornaram internacionais
no cultivo da batata. Foram não somente ao México
e ao Canadá, mas também a América
do Sul, à Europa, à Rússia e ao
Oriente Médio, para plantar batatas. Muitos foram
levados pelos principais processadores a medida em que
globalizaram suas operações. Na opinião
do autor, estas oportunidades deverão aumentar.
Manejo do Abastecimento
Tendo em vista que os preços da batata no mercado
em geral são muito sensíveis às
mudanças no abastecimento (oferta do produto),
o esforço dos UNIDOS (movimento corporativo de
bataticultores em expansão nos EUA e Canadá)
já permitiu melhorar os lucros dos produtores,
através de ações como: Redução
de áreas plantadas em 2005. No futuro, os UNIDOS
poderão reduzir área a ser colhida ou
a quantidade a ser transferida do armazém para
o mercado, se os plantios forem demasiados.
Gerenciamento dos Segmentos de Mercado
A preocupação dos consumidores com relação
à segurança alimentar leva as empresas
do mercado agrícola a desenvolver programas que
documentem o fluxo dos seus produtos. A agropecuária
respondeu aos interesses dos consumidores sobre a doença
da vaca louca, desenvolvendo programas de rastreabilidade.
Com isso, os consumidores podem ser informados onde
o gado nasceu e engordou; como foi alimentado e abatido.
Algumas empresa usarão seus programas de gerenciamento
das correntes de mercado para desenvolver marcas às
quais os consumidores poderão estar dispostos
a pagar um valor de qualidade (“price premium”).
Alguns programas são desenhados para avaliações
das práticas aplicadas por terceirizados, as
quais são consideradas pelos consumidores como
sociais, sanitárias e ambientalmente corretas.
A medida em que os gigantes da venda no varejo (Wal
Mart) e dos restaurantes e lanchonetes (Mc Donald’s)
implementam esses programas, haverá oportunidades
de se juntar a esses times na condição
de fornecedores preferenciais.
Direitos de Patente (Propriedade Intelectual)
Além da proteção de variedades,
poderá haver outras oportunidades na área
de direitos intelectuais patenteáveis. Algumas
das empresas que desenvolveram sistemas de gerenciamento
dos segmentos de mercado poderão torná-los
protegidos (patenteados). Produtores que se integram
a esses sistemas podem acessar tecnologias de produção
e armazenamento.
É possível que, um dia, a McDonald’s
e/ou Wal Mart se juntem com grupos de produtores para
conseguirem direitos exclusivos no uso de tecnologias
e variedades protegidas.
NOVAS TECNOLOGIAS
Technico (NT: Empresa de tecnologias na bataticultura)
Embora a batata transgênica tenha sido um fracasso
de mercado, a tecnologia voltada à bataticultura
não está paralisada. A empresa australiana
Technico, usando sua tecnologia patenteada de produção
de minitubérculos (“Technituber”),
desenvolveu tecnologia para encurtar as gerações
da batata-
semente e fornecer lotes desse material como batata-semente
de baixo custo, na China e na Índia.
Produtos Transgênicos
É possível que a batata transgênica
tenha um retorno no mercado. Enquanto nos anos 90 a
Greenpeace, organização não governamental
(ONG), foi peça fundamental no convencimento
de restaurantes e lanchonetes a não servirem
batata genéticamente modificada, atualmente,
tem sido presenciada na África, Malásia,
China e Índia (dois de maiores populações)
a ação de algumas outras ONGs, posicionando
e desbancando algum poder da Greenpeace. O forte lema
de atitudes pró-transgênicos tem sido “na
aplicação da biotecnologia com segurança
e ética na pesquisa e no desenvolvimento de forma
responsável, a fim de alimentar grande massa
de pessoas.” Na América do Sul, devido
às legislações favoráveis
na vizinha Argentina, o governo do vizinho Brasil, evitou
um mercado negro de sementes
transgênicas modificando a lei. É possível
que comportamentos como esse se repetirão em
outras partes do mundo. Os europeus, pagadores de impostos,
que já suprem os produtores com subsídios
exorbitantes, serão forçados a pagar ainda
mais se a agricultura européia se tornar menos
competitiva. Assim, a batata transgênica terá
seu retorno. Seguindo o ciclo de vida dos produtos,
a fase de introdução para novas tecnologias,
como automóveis e telefones celulares levou aproximadamente
15 anos. Se a batata transgênica seguir esse padrão,
a fase de crescimento estará ocorrendo no final
desta década.
Os Brotos de Batata
Uma das novas tecnologias que foi indicada
para o Prêmio de Inovação no Congresso
Europeu da Batata, em 2005, foi a do broto de batata
(NT: A tecnologia do broto, na exportação-importação
de batata-semente. Matéria apresentada na revista
Batata Show, ano 5, n. 11, abril 2005, pg. 11). Trata-se
de um projeto liderado por Bill Campbell, no Alaska
e por José Dias, no Brasil (NT: Willian L. Campbell,
do Alaska Plant Material Center, em Palmer, no Estado
do Alaska, EUA; e por José A. Caram de Souza-Dias,
do APTA/Instituto Agronômico; Centro de Fitossanidade,
em Campinas, SP). Campbell
envia os brotos para Caram de Souza-Dias (NT: Destacados
de tubérculos de batata-semente básica
, acompanhados de atestado fitossanitário expedido
pelo USDA, para os tubérculos dos quais foram
desbrotados), o qual planta esses brotos para produção
de minitubéculos, dentro de telados anti-afídeos.
Um mês após deixar o Alaska, os brotos
geram uma plantação com mais de 90% de
germinação
(NT: Os brotos de 5 a 10 cm de comprimento são
colocados em volumes de 1 a 2 kg, dentro de saquinho
plástico.
O despacho é feito em caixa de papelão,
sem necessidade de refrigeração.O transporte
é via aérea, tipo SEDEX, UPS, DHL etc,
levando apenas 4 dias do Alaska ao Brasil, passando
pelo serviço de vigilância sanitária
e quarentenária, conforme previsto na permissão
de importação do DDIV- MAPA). Uma das
vantagens da tecnologia do broto é a de que esta
reduz ou previne a disseminação de patógenos
do solo (NT: Partículas de solo estão
geralmente presentes na batata-semente quando transportada
na forma convencional de tubérculos). Outra vantagem
é a de que a batata-semente pode ser duplamente
aproveitada para plantio: um plantio dos brotos que
são removidos e outra dos próprios tubérculos
desbrotados que rebrotam. Uma terceira vantagem é
o custo reduzido no transporte.

Conclusão
Oportunidade para produtores de batata assenta em áreas
de novos mercados, novos modelos de comércio
e novas tecnologias. O agronegócio da batata
em Idaho, EUA , possui muitas pessoas brilhantes e inovadoras
(NT.: assim como no Brasil), as quais poderão
competir muito bem nesse ambiente de novas oportunidades.
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