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Santa Ágata - Bras Lobato
Corrijam-me os batateiros modernos, mas não
há como negar que a ‘Ágata’
é uma “baita” batata.
Não é qualquer cultivar que atinge a fenomenal
marca de 70% da produção nacional. Isso
porque
chega a produzir mais de 50 t/ha de tubérculos
lisos e bem formados, do jeito que mercado brasileiro
precisa para atender seus exigentes consumidores, que
costumam valorizar aparência mais do que qualidade
intrínseca de muitos produtos agrícolas,
inclusive da batata.
Produtividade à parte, ‘Ágata’
lembra a beleza do cristal que ganhou este nome por
ser extraída do Rio Ágata, na Sicília,
desde os tempos do Império Romano (as más
línguas dirão que é por isso que
esta cultivar tem alto teor de água). E como
cristal, é também conhecido por estar
associado a crendices, tais como curar insônia
quando colocado debaixo do travesseiro e proteger contra
mau-olhado e doenças de pele. E não há
como negar que insônia, mau olhado e pele (da
batata) são assuntos que vez por outra incomodam
os batateiros. Dizem até que agricultores antigos
penduravam um cristal de ágata no corpo ou no
chifre de bois de arado para garantir colheitas abundantes.
Sua beleza pode ser também associada à
da Santa Ágata, jovem e faceira siciliana que
foi martirizada
por não ter cedido ao assédio de um senador
romano no início da era cristã. Venerada
no dia 5 de fevereiro, Santa Ágata é padroeira
da Catania, Sicília, e é lembrada por
ter várias igrejas e capelas dedicadas a ela.
A Capela de Santa Ágata, por exemplo, foi o primeiro
templo religioso construído em Nova Trento, Santa
Catarina, estado onde a batata encontra um dos melhores
climas do país.
E quem não se lembra da batata alemã
‘Achat’, que também dominou o mercado
brasileiro na década de 1990? Coincidência
ou não, o sucesso dessa cultivar pode ser associado
ao seu nome, pois ‘Achat’ em alemão
significa “ágata”!
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