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Glicoalcalóides em Batatas
Profa Dra Estefânia Maria Soares Pereira
(professora do curso de Nutrição UNITRI
Centro Universitário do Triângulo - Uberlândia/MG)
esoares@triang.com.br
A batata é um dos principais alimentos consumidos
no mundo, considerado bastante nutritivo, já
que de fonte importante de carboidrato, fibras, potássio,
vitamina C e B6. Tem baixo teor de gordura e seu preparo
é bastante prático e variado, sendo muito
apreciada entre os brasileiros. É considerado
alimento
funcional, apresentando substâncias biologicamente
ativas com efeitos benéficos à saúde,
proporcionando, além das funções
nutricionais básicas, e redução
de doenças crônico degenerativas (diabetes,
hipertensão, dislipidemias).
Atualmente, com o fácil acesso às informações,
por meio da televisão e internet, o consumidor
quer cada vez mais saber sobre o que come e dos benefícios
nutricionais destes alimentos. São resultados
de estudos e pesquisas divulgados a cada dia, sem a
avaliação ou esclarecimento feito por
um especialista. Isto gera problemas, levando ao uso
indiscriminado de alimentos altamente prejudiciais à
saúde ou mitos sobre outros de uso seguro.
Existem muitas dúvidas sobre o consumo seguro
de batatas. Glicoalcalóides (chaconina e solanina)
são compostos tóxicos naturalmente presentes
em todas as partes da planta de batata (Solanum tuberosum
L.) e podem estar envolvidos no mecanismo de defesa
da planta contra ação de insetos e microrganismos.
Esses glicoalcalóides, quando em concentrações
elevadas, conferem aos tubérculos um sabor amargo
e picante.
Sabe-se que os níveis de glicoalcalóides
totais podem variar em decorrência da diferenciação
genética dos vários cultivares existentes,
do tipo e umidade do solo, tratamentos com fertilizantes
e pesticidas, poluição do ar e condições
de armazenamento. O esverdeamento das batatas não
significaria, necessariamente, presença de glicoalcalóides,
podendo ser presença de concentração
de clorofila. As suspeitas de toxicidade dos glicoalcalóides
parecem ter duas ações no organismo humano:
uma afetando o sistema nervoso central e outra causando
hemorragias do trato gastrointestinal.
Porém, segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS), os estudos com glicoalcalóides
são insuficientes para se estabelecer uma dose
tóxica e os níveis encontrados naturalmente
nas batatas não seriam tóxicos. Apesar
disso, por falta de parâmetros de avaliação
e precaução e, por ser largamente
consumida em todo mundo, este mesmo órgão
recomenda o uso de 300g de batata diariamente, o que
significa uma unidade grande.
No Brasil, existem poucos estudos sobre expressão
tóxica desta substância em seres humanos.
As pesquisadoras Rita Margarete D. Machado e Maria Cecília
F. Toledo* desenvolveram um trabalho, em Campinas, Estado
de São Paulo, que teve como objetivo a determinação
dos teores desses compostos em tubérculos de
batatas in natura comercializados naquela região.
Após muitos meses de estudos, as batatas analisadas
apresentaram valores de glicoalcalóides inferiores
à concentração máxima recomendada
como segura para consumo humano.
São necessários muitos outros estudos
para melhores esclarecimentos à população
sobre os efeitos dos glicoalcalóides e, principalmente,
sobre a quantidade a ser utilizada. Enquanto isto, o
que se sabe é que a quantidade utilizada normalmente
no Brasil é considerada segura, devendo-se levar
em consideração as vantagens nutricionais
deste alimento.
* Machado, Rita Margarete D. and Toledo, Maria Cecília
F. Determinação de glicoalcalóides
em batatas in natura (Solanum Tuberosum
L.) comercializadas na cidade de Campinas, Estado de
São Paulo. Ciênc. Tecnol.
Aliment., Mar 2004, vol.24, no.1, p.47-52
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