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Genética Molecular
Ferramenta de Estudo na Identificação
e Caracterização de Variedades de Batata
Gisele A.M. Torres*1, Alexandre F.Garcia2, Emerson
S. de S. França3, Jacqueline P.C. Amaral4 e Anete
P. de Souza5 *1Autor para correspondência: Dra.
Gisele A.M. Torres, Pesquisadora Científica do
Instituto Agronômico (IAC), Centro de P&D
de Recursos Genéticos Vegetais, gtorres@iac.sp.gov.br,
C.P.28, 13012-970; Campinas/SP 2Aluno de pós-gradução
da ESALQ-USP. 3Aluno de graduação da UNICAMP.
4Bióloga responsável pelo laboratório
de cultura de tecidos. 5Profa. Dra. Anete P. de Souza,
Docente e Pesquisadora do Depto. Genética e Evolução,
CEBMEG-UNICAMP, anete@unicamp.br, C.P.6010, 13083-970;
Campinas/SP.
A cultura da batata (Solanum tuberosum L.) figura,
segundo dados da FAO (2005), como a quarta maior produção
vegetal do planeta com aproximadamente 330 milhões
de toneladas. No Brasil, a cultura da batata se destaca
no cenário agrícola devido a sua grande
importância alimentar, econômica e social.
No entanto, o país é dependente da importação
da batata-semente. A importação das matrizes,
com alto padrão de sanidade, de países
de clima temperado, pode representar até 40%
do custo de produção (P. Hayashi - Agrícola
Pirassu, comunicação pessoal). Deste modo,
o desenvolvimento de métodos de avaliação
da fidelidade genética do material importado
torna-se relevante para a cadeia produtiva.
No intuito de reduzir os custos de produção
advindos da importação da batata-semente,
é feita a multiplicação dos diferentes
materiais através da cultura de meristemas. Porém,
o conceito de que a estabilidade genética é
mantida em plantas derivadas da cultura de meristemas
é questionável. Efetivamente, em plantas
micropropagadas, das mais variadas espécies,
variações somaclonais
são detectadas a diferentes níveis: fenotípico,
citológico, bioquímico e molecular. Esses
variantes distinguem-se da planta original em um ou
mais caracteres e essas alterações podem
ser estáveis e herdáveis (Larkin &
Scowcroft, 1981). As causas prováveis desse fenômeno
são várias e de natureza bastante distintas
(Kaeppler et al., 2000).
Entre 2003 e 2004, um grupo de produtores de batata,
juntamente com o laboratório de cultura de tecidos
responsável pela micropropagação
das mudas de batata, tomou a iniciativa de procurar
a profa. Dra. Anete Pereira de Souza, da UNICAMP. Este
grupo de produtores tinha como interesse o desenvolvimento
de um trabalho de pesquisa que pudesse, entre outros
objetivos, fornecer subsídios para a verificação
da fidelidade genética das matrizes importadas
e a monitoração das plantas obtidas por
micropropagação, através do emprego
de marcadores moleculares. Esses marcadores não
são sujeitos à influência ambiental,
podendo servir à análise genômica,
incluindo regiões codificantes e não-codificantes,
revelando um alto polimorfismo.
Este projeto, patrocinado inicialmente pelo grupo
de produtores idealizador do trabalho, é, desde
agosto de 2004, financiado pela FAPESP sob a forma de
um ‘auxílio a projeto de pesquisa’,
numa parceria entre a Unicamp e o Instituto Agronômico
de Campinas (IAC, Centro de Recursos Genéticos
Vegetais). Foi determinado o fingerprinting molecular
de oito das principais variedades de batata comercializadas
no estado de São Paulo, através do emprego
de marcadores do tipo AFLP. O desenvolvimento de marcadores
AFLP não requer conhecimentos prévios
de seqüência e permite a identificação
simultânea
de um grande número de produtos de amplificação
(Qi e Lindhout, 1997). Eles são marcadores altamente
polimórficos e têm boa reprodutibilidade,
apesar de requererem um alto nível de suporte
técnico (Figura 1).
A partir destes resultados, uma nova etapa deste trabalho
se iniciou, onde plântulas de batata provenientes
de sucessivas repicagens, e submetidas a diferentes
intervalos de tempo em meio de cultura são comparadas
aos ‘padrões originais’, com base
no perfil dos marcadores AFLP desenvolvidos. A análise
molecular do material micropropagado permitirá
a identificação de variantes, possibilitando,
eventualmente, a determinação do número
máximo de repicagens a serem feitas, sem que
ocorra variação somaclonal.

Figura 1. Exemplo de perfil eletroforético obtido
através do emprego de marcadores moleculares
do tipo AFLP, para fins de identificação
de variedades de batata. As setas indicam o polimorfismo
observado entre as variedades analisadas.
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