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Viagem Técnica ABBA 2006 - Estados
Unidos
Elcio Hirano EMBRAPA
hirano@newage.com.br

No período de 19 a 27 de agosto o nosso grupo
de 29 pessoas, composta por técnicos e produtores,
realizou mais uma viagem técnica organizada pela
ABBA, desta vez nos estados de Washington, Oregon e
Idaho, com o objetivo de visitar a cadeia produtiva
e comercial da batata naquela região noroeste
americana e, por fim, assistir o Show Agrícola
da Batata em Boise (Idaho). Foram visitadas.
Fomos recepcionados pela intérprete Deborah Huth,
que nos acompanhou grande parte da viagem e, posteriormente,
pelo Ed Missiaen, representante do US Potato Board,
que nos passou
folhetos e deu explicações sobre a cadeia
da batata americana. Ele relatou que, naquele país,
a área total em 2005 foi de 440.000 hectares,
com a produção de 19.151.000 toneladas
e produtividade de 44 toneladas/ha. Quanto a utilização,
33% da produção é usada para batata
pré-frita supergelada; 30% é para consumo
de batata in–natura; 11% vai para chips fritos;
11% vai para produtos desidratados; 9% é usado
na propriedade rural e não comercializado; 5%
vai para batatas semente e 1% é para batata enlatada
em diversas formas: sopas, guisados, etc.
Quanto à produção de sementes,
os Estados com sistema de certificação
são: Alaska, Washington,
Oregon, Idaho, Califórnia, Montana, Wyoming,
Colorado, Nebraska, Dakota do Norte,
Minnesota, Wisconsin, Michigan Nova York e Maine. No
total, o País plantou em 2001 a área de
55.460 hectares e produziu 1,2 milhão de toneladas
de sementes e, quase toda ela, é produzida através
de processos de biotecnologia com produção
de mini-tubérculos, quase não os importa
do exterior. As gerações de certificação
são: pré-nuclear (laboratório);
nuclear (estufa) e 5 gerações de campo,
antes de ser vendida para plantio de batata consumo
e processamento.
Com exceção da FritoLay Pepsico Inc.
para chips, todos os outros programas de melhoramento
são feitos juntos às universidade e a
ARS-USDA (que é uma equivalente a EMBRAPA
americana) e na lista de cultivares em 2003 tinham 53
cultivares registradas. O País tem o sistema
de proteção de cultivares para a batata.
Iniciando a viagem por Seattle, em Washington, pudemos
ver, inicialmente, o mercado Pike Place onde havia batata
consumo fresco à venda. No dia seguinte, fomos
até Bellingham, onde visitamos a empresa Purê
Potato Inc. que produz minitubérculos de batata
semente e, na mesma região, visitamos o produtor
de sementes Dick Beddlington. Este Estado planta 62.000
hectares, com produção de 4.331.000 toneladas,
e tem uma produtividade de 69 ton/ha.
Também neste mesmo Estado estivemos também
em Prosser para uma visita a Unidade de Pesquisa de
Hortaliças e Forrageiras do ARS-USDA, onde fomos
acompanhados pelo Dr. Lauri Guerra, um brasileiro que
trabalha nesta estação e pudemos conversar
com diversos pesquisadores e visitar os laboratórios,
onde pudemos ver as várias pesquisas sendo feitas
na cultura da batata. Foram visitados dois laboratórios
de biologia molecular para trabalhos com identificação
genética de compostos químicos, que visam
dar resistência a ataques de pragas e doenças,
e melhoria da qualidade culinária da batata,
por exemplo, o ácido acetil-salicílico,
compostos fenólicos e ácidos fólicos.
Outro laboratório foi de virologia, para identificação
de TRV-Tobacco rattle vírus, e vistos as tuberculosas
de melhoramento para novas cultivares para chips com
tubérculos arroxeados e com resistência
do nematóide Meloydogine chittwood, popularmente
conhecido como “Columbia root knot nematode”,
presente somente naquela região.
Em Oregon, no trajeto rumo ao destino final, à
Boise, passamos por Herminston onde fomos visitar o
supermercado SpeedWay para ver a batata consumo na gôndola
e a empresa Bud Rich Potatoes que é uma lavadora,
selecionadora e empacotadora de batata consumo fresca
para comércio retalhista. Este Estado planta
15.000 hectares, com produção de 999.000
toneladas e produtividade de 67 ton/ha.
Finalmente no Estado de Idaho, o maior produtor americano
de batata, com área de 131.000 hectares, produção
de 5.306.000 toneladas e produtividade de 41 ton/ha,
chegamos à cidade de Boise onde ficamos alguns
dias para assistir ao Show Agrícola de Batata
e visitar um produtor de batata consumo e industrial,
Doug Gross Farms, Inc. onde além de produzir,
presta serviços de armazenamento de batata consumo
para outros produtores da região.
  
Os produtores de batata de Idaho são altamente
especializados e plantam, em média, áreas
grandes de 500 hectares de batata para consumo e processamento
na região de Idaho, muitos tem armazéns
com ventilação forçada para armazenar
as batatas durante o inverno e, toda a produção,
é irrigada com sistema de pivot central pois,
a região é árida e chove, em média,
150 mm por ano. Todo o plantio, tratos culturais e colheita
são feitos mecanicamente. O custo da água
em Idaho é de 50 a 100 dólares por acre
irrigado por estação de plantio. Fazem
rotação de cultura a cada 5 anos, sendo
com alfafa, milho forragem, menta e trigo, sendo o custo
de produção de 5.500 dólares por
hectare, aplicam 4 a 5 pulverizações com
fungicidas.
O preço da batata para o produtor foi, em 2006,
de 8 a 9 dólares por saco de 45 kg e, de 100
dólares, por tonelada para processamento. O salário
de mão de obra avulsa no campo é de 8
a 15 dólares por hora, que sai por 1.920 dólares
por trabalhador/mês.
A parte final da viagem técnica foi o Show
Agrícola da Batata, onde foram mostrados, principalmente,
equipamentos de plantio e colheita e irrigação
e, além de sistema de controle de irrigação,
armazenamento e monitoramento de campos. Também
estavam presentes alguns programas de melhoramento genético
com mostra de cultivares de batata. No campo havia tecnologias
em ação com mostras de equipamentos e
máquinas de plantio e colheita de batata. No
congresso técnico foram apresentados 13 seminários
com temas variados, principalmente enfocando o gerenciamento
de custos e controle de custos de produção,
meio ambiente e legislação, mudanças
de hábito de consumo, comercialização,
assuntos sobre imigração,
etc.
Durante as visitas à lavadora e supermercados,
foi visto que batatas comercializadas à granel
para o consumidor escolher por si, foi somente no mercado
de Pikes Place em Seattle, no demais em todos outros
locais o produto é embalado e rotulado, sendo
o produtor que realiza estas operações.
No mercado de varejo, Wal Mart em Boise os preços
da batata estavam o seguinte: batata in natura embalada
à 1,97 dólares por sacos de 4,54 kg; o
palito supergelada (french fry) à 1,88 dólares
por saco de 737 gramas; a panqueca à milanesa
de batata (hash brown) à 1,78 dólares
por saco de 850 gramas; o palito supergelado para microondas
(french fry oven ready) à 2,52 dólares
por saco de 680 gramas; o palito ondulado supergelado
(french fry crinkle) à 1,88 dólares por
saco de 737 gramas; o palito supergelado padrão
Mc Donalds (french fry shoestring) à 1,88 dólares/saco
de 793 gramas e o chips marca Lays à 3,50 dólares
o saco de 538 gramas.
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