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Fertilizantes
na Bataticultura:
demanda relativa e termos de troca

Evaristo Marzabal Neves, Profº. titular, ESALQ/USP.
emneves@esalq.usp.br
Nathalia Nogues Mourad, Acadêmica de Engenharia
Agronômica, ESALQ/USP.
nanogues@esalq.usp.br
No balanço final de um ano agrícola,
a análise do fluxo de caixa se torna fundamental
para tomada de decisão do produtor rural. Para
a próxima safra, pesa consideravelmente nesta
tomada de decisão o comparativo dos fluxos de
receita e de custos de produção.
No caso de bataticultura, como o preço recebido
pelo produtor é estabelecido num mercado livre,
sujeito às oscilações de oferta
e demanda, o bataticultor fica refém do mercado,
não passando de um simples tomador de preços
em suas negociações. Porém, no
caso do fluxo de custos, ele exerce certos controle
pois os desembolsos para a aquisição de
serviços e uso de fatores de produção
(fertilizantes, defensivos, sementes e outros como serviços
de mão-de-obra, de máquinas etc.) são
de sua responsabilidade.
Planilhas de custos de produção para batata
desenvolvidas por entidades e tornadas públicas,
como as existentes no Agrianual (FNP Consultoria) têm
revelado, em sua decomposição, o considerável
peso relativo de determinados insumos, como fertilizantes
e defensivos. O Agrianual para 2005, na ecomposição
dos custos operacionais (safra das águas, rendimento
de 50sc/ha) por hectare,
estimou a participação relativa dos fertilizantes
em 26% (R$ 2.540,00), considerando somente os insumos:
sementes, calcário dolomítico, termofosfato,
inseticidas, fungicidas e herbicidas, totalizando R$9.516,80.
No caso específico de fertilizantes, alguns indicadores
de seu uso são importantes instrumentos
auxiliares na tomada de decisão dos produtores.
Entre eles, tem-se a análise da demanda relativa
por determinado insumo (horizonte temporal de 1999 a
2004), obtida pela divisão da demanda total brasileira
(entrega das misturadoras às revendas) pela área
plantada com batata no País (tabela 1) e os termos
de troca (relação temporal que expressa
o número de sacas para adquirir 1 tonelada de
fertilizantes para o período compreendido entre
janeiro de 2000 a abril de 2006).
Demanda total e Relativa por Fertilizantes. A Tabela
1 mostra a demanda relativa brasileira
por fertilizantes obtida pela divisão da demanda
total (mil toneladas) pela área plantada
(mil hectares) para os anos de 1999 a 2004.

A demanda relativa superou os 2,5 toneladas/ hectare
a partir de 2001. Em anos anteriores,
a demanda ficou abaixo das 2 t/ha (1,89 t/ha em 2000
e 1,81t/ha em 1999).
A demanda relativa mais elevada em determinado ano estaria
sinalizando que, comparativamente,
os preços recebidos pelos bataticultores foram
mais atrativos e compensadores, estimulando a busca
de maior produção e produtividade/hectare
frente aos preços pagos por insumos. É
o que se procura
explicar a seguir com os termos ou relação
de troca, ou ainda, definido como preço de paridade
(Tabela 2).

Termos de Troca ou preço de paridade Termos de
troca ou preço de paridade são obtidos
pela relação temporal entre preço
recebido pelo produtor e preço pago por determinado
insumo. Afirma-se que esta relação é
favorável temporalmente ao produtor quando são
necessárias menores quantidades do produto (por
exemplo, saca de 50kg de batata) para adquirir a mesma
quantidade do insumo (por exemplo, tonelada do formulado
04-14-08) e pouco atrativa ou não compensando
o uso de maior quantidade do insumo quando, relativamente,
os preços deste se elevam mais rapidamente do
que o do produto.
A Tabela 2 traz a relação de troca (sacas
de 50kg de batata necessárias para adquirir 1
tonelada de adubo 04-14-08, de janeiro de 2000 até
abril de 2006). Na média anual verificou- se
que o ano mais favorável ao produtor de batata
foi 2001 (no ano, em termos médios, foram necessárias
15,43 sacas de 50kg para adquirir uma tonelada de 04-14-08)
que coincide com o maior consumo (2,87 toneladas por
hectare) nos cálculos da demanda relativa (Tabela
1).
Por sua vez, na média anual, o ano 2004 foi
o menos compensador podendo ter provocado uma desfavorabilidade
no fluxo de caixa do bataticultor já que a exigência
de troca (média no ano) foi de 26,86 sc de 50kg
(74% a mais que a média do ano 2001, que foi
15,43sc) para adquirir a mesma quantidade de fertilizante
(1t do formulado 04-14-08).
No comparativo de médias anuais, denota-se para
os 6 anos analisados que os anos 2003 e 2004 apresentaram
os piores termos de troca requerendo (média anual)
23,73 e 26,86 sc 50kg, respectivamente, puxados principalmente
pela desfavorabilidade de preço de paridade nos
últimos meses de 2003 e nos primeiros meses (até
abril) de 2004.
Tomando-se como horizonte de análise janeiro
de 2000 a abril de 2006, a relação mais
favorável ao bataticultor foi abril de 2001 (10,44
sc) e a mais desfavorável foi em fevereiro de
2000 (36,31 sc 50kg para adquirir 1t de adubo).
Quando se toma como horizonte temporal a média
dos 4 primeiros meses (janeiro a abril), a melhor relação
foi de janeiro a abril de 2001, onde foram necessárias
12,24 sc 50kg para adquirir 1 tonelada de fertilizante
se contrapondo ao mesmo período de 2004 que,
na média quadrimestral, requereu 31,81 sc (quase
que 2,5 vezes a relação obtida em 2001
para o mesmo período do ano) caracterizando que
o ano de 2004 foi o mais desfavorável para o
bataticultor para adquirir 1 tonelada de fertilizantes.
Se 2004 foi o pior ano para o bataticultor, o ano de
2005 já se mostrou mais favorável. Estudo
recente do Instituto de Economia Agrícola que
determina o valor bruto de produção para
48 produtos da agricultura paulista revelou que a cultura
da batata, no comparativo 2005 com 2004, cresceu 17,43%
em termos do preço médio/ano (R$37,26
sc 50kg em 2005 e R$ 31,73 sc de 50kg em 2004), mais
4,92% na produção (15,688 milhões
de sacas em 2005 e 14,952 milhões sacas em 2004).
Inclusive, a batata foi para 16 produtos analisados
pelo Instituto de Economia Agrícola/ SAAESP o
produto que experimentou maior variação
de preço no ano de 2005 com 104,55% de acréscimo,
à frente da laranja com 39,77%, cebola com 25,00%,
cana-de-açúcar com 14,86% e tomate com
14,29%.
Embora esses indicadores devam ser vistos com cautela
pois, são usados dados gerais e médios
para o Brasil e Estado de São Paulo não
se definindo variedades ou mesmo região produtora
estadual e não se identificando as causas temporais
e efeitos na oferta e demanda que levaram variações
e ou oscilações
de preço da batata nesta década, servem,
porém, como bons indicadores das tendências
de preço dos produtos e insumos na bataticultura
e sinalizadores na tomada de decisão do produtor.
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