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Viroses de batata transmitidas por tripes
Alice Kazuko Inoue Nagata, Pesquisadora da Embrapa
Hortaliças - Km 09, BR060,
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Tatsuya Nagata - Professor da Universidade Católica
de Brasília - SGAN 916, Asa
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A cultura da batata é susceptível a inúmeras
infecções causadas por vírus, que
podem ocasionar perdas substanciais na produtividade.
Atualmente, houve um grande aumento de relatos de ocorrência
de infestação da cultura por tripes. Ao
contrário de que muitos imaginam, os recentes
ataques de tripes podem não resultar no aumento
de doenças. A espécie de tripes mais problemática
em batata é provavelmente o Thrips palmi e ainda
não se tem nenhum registro no Brasil de vírus
que são transmitidos por esta espécie.
Os tripes transmitem os vírus causadores do
vira-cabeça do tomateiro. Estes vírus
são
conhecidos como tospovírus. No Brasil, seis espécies
de Tospovirus são conhecidas e quatro dessas
seis representam uma ameaça para a bataticultura:
Tomato spotted wilt virus (TSWV), Tomato chlorotic spot
virus (TCSV), Groundnut ringspot virus (GRSV) e Chrysanthemum
stem necrosis virus (CSNV). Dentre estas, TSWV e GRSV
predominam nas várias regiões de produção
de hortaliças, principalmente o GRSV.
Não é possível distinguir as espécies
pelos sintomas apresentados pelas plantas infectadas.
Os sintomas mais característicos do vira-cabeça
são o aparecimento de pontos ou manchas necróticas
(de cor marrom palha, como se tivesse sido queimado)
nas folhas ou caule, principalmente no topo da planta.
Estes sintomas podem evoluir e paralisar o crescimento
ou mesmo matar a planta, mas também podem ficar
restritos a uma rama sem atingir a planta inteira. Os
tripes não têm asas verdadeiras e não
são capazes de voar a uma longa distância.
Os principais gêneros importantes para a agricultura
são Thrips e Frankliniella. Estes insetos constituem-se
em pragas sérias e podem causar grandes prejuízos
à cultura se não forem tomadas medidas
de controle eficientes. As fêmeas são maiores
que os machos e têm maior atividade, principalmente
durante o seu processo de produção de
ovos. Os principais problemas do seu ataque são
os danos provocados nas folhas pela escarificação
da epiderme, impedindo o crescimento normal da planta
e os ferimentos provocados nos frutos.
A identificação dos insetos é
difícil e há poucos especialistas no Mundo
com experiência na sua classificação.
A diferenciação entre Thrips e Frankliniella
e suas espécies só pode ser feita a partir
de análise em microscópio óptico
de insetos montados em lâminas. Portanto, a simples
observação dos insetos no campo não
permite a sua classificação.
A
transmissão dos tospovírus ocorre de maneira
circulativa-propagativa, isto é, o vírus
é ingerido pelo inseto, circula no seu corpo,
multiplica-se e é transmitido às plantas
durante a alimentação do tripes. Somente
os adultos que se alimentaram em plantas doentes durante
a fase de ninfa podem se tornar transmissores dos vírus.
Até hoje nove espécies foram relatadas
no Mundo como transmissoras de tospovírus. Dentre
estas espécies, Frankliniella occidentalis, F.
schultzei, F. zucchini e Thrips tabaci já foram
relatadas no Brasil como transmissores dos tospovírus.
Apesar da ocorrência de T. palmi aqui, não
há nenhuma evidência que seja vetora de
tospovírus brasileiros. Esta espécie foi
relatada como vetora de algumas espécies asiáticas
de tospovírus, que diferem consideravelmente
das espécies brasileiras.
O controle dos tospovírus deve ser realizado
de modo preventivo. Não há evidências
de transmissão pela
batata-semente. Não se deve realizar o plantio
escalonado e em locais com comprovada presença
de tripes
transmissores. O plantio deve sempre ser antecedido
de eliminação completa dos restos culturais,
pelo
menos com duas semanas até o plantio. Quando
disponível, utilizar variedades resistentes.
O controle dos
tripes deve ser feito de maneira integrada com a seleção
dos inseticidas apropriados aplicados de
maneira adequada. Quando possível, retirar da
lavoura as plantas infectadas para não servir
de fonte de vírus para as outras plantas sadias.
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