| Manejo
de plantas daninhas e dessecação na cultura
de batata.
Pedro J. Christoffoleti Prof. Associado do Depto. de
Produção Vegetal - Esalq/USP CP 9 - 13418-900
Piracicaba/SP - pjchrist@esalq.usp.br Marcelo Nicolai
- Pós-Graduando em Fitotecnia marcelon@esalq.usp.br-Esalq/USP
Juliano F. Barela – Pós-Graduando em Fitotecnia
– jfbarela@esalq.usp.br-Esalq/USP
Na horticultura brasileira, especifi-camente na cultura
da batata, é encontrada a maior complexidade
dos sistemas de produção, visto que seu
plantio, manejo e colheita variam com a combinação
de fatores climáticos e preço do produto
colhido, tornando seu cultivo restrito a determinadas
regiões e produtores
especializados. A eficiência do produtor em resolver
os problemas fitossanitários que a cultura apresenta
é, muitas vezes, o principal fator responsável
pelo sucesso de sua exploração comercial,
já que os
custos envolvidos com defensivos agrícolas são
significativos.
Dentre os problemas fitossanitários, as perdas
provocadas pela infestação das plantas
daninhas na cultura da batata é um fator que
exige do produtor estratégias de manejo adequado,
sendo este portanto, o
objetivo principal deste artigo, além de fornecer
informações sobre a dessecação
da cultura em pré-colheita.

Aplicação de herbicidas
na cultura de batata
A cultura de batata tem um crescimento vigoroso, que
facilita a supressão da infestação
das plantas daninhas que emergem tardiamente no ciclo
da cultura, simplesmente, pela ocupação
do terreno pela cultura através da parte aérea.
É fato que, normalmente, é prática
dos produtores a operação de amontoa,
que consiste no chegamento de terra das entrelinhas
na base da planta de batata, o que também promove
o controle mecânico da comunidade de plantas daninhas.
Sendo assim, a estratégia de executar a operação
de amontoa em momento adequado já serve como
medida de manejo de plantas daninhas. Por momento adequado
da operação de amontoa para o controle
de plantas daninhas, entende-se o estádio de
desenvolvimento da planta daninha (fase de plântula)
em que a operação de amontoa promova o
corte ou enterro da mesma. Na operação
de amontoa, é importante que o produtor observe
também o efeito que esta pode causar sobre o
comportamento dos herbicidas aplicados ao solo (pré-emergência).
É comum que áreas produtoras de batata
estejam localizadas em solos explorados com outras culturas,
especialmente com pastagens. Sendo assim, o manejo de
plantas daninhas na cultura da batata deve iniciar-se
através da operação de dessecação
das gramíneas forrageiras que ocupam estas áreas.
Esta operação de dessecação
é feita, principalmente, com o herbicida glyphosate
(existem várias marcas comerciais no mercado),
que por sua característica de atuação
como herbicida (produto sistêmico e não
seletivo) elimina todas as plantas e suas partes capazes
de reprodução, principalmente as estruturas
especializadas de reprodução destas plantas,
como rizomas, estolho e tubérculos da área.
É prática comum entre os produtores realizar
duas aplicações seqüenciais de glyphosate,
em intervalos de 15 a 20 dias, no intuito de, realmente,
erradicar as plantas daninhas já estabelecidas
na área, bem como, através da segunda
aplicação, eliminar o primeiro fluxo de
plantas daninhas proveniente de sementes ou eventuais
falhas da primeira aplicação.

Principal planta daninha da cultura
de batata (Brachiaria decumbens)
É também comum entre os produtores de
batata revolver o solo antes do plantio da cultura.
Este revolvimento pode quebrar a dormência das
sementes de plantas daninhas através da aeração
do solo
e incidência de luz na semente, o que, para a
maioria das sementes de plantas daninhas, já
representa um
fator de quebra de dormência. As sementes de plantas
daninhas, que sofreram o processo de quebra de
dormência durante o revolvimento do solo, apresentam
uma germinação rápida, quando comparado
com a emergência dos brotos de batata (8 a 15
dias para emergir).
Esta situação proporciona ao mato uma
vantagem competitiva sobre a lavoura. Contudo, essa
característica de demora da emissão das
hastes a partir dos tubérculos, pode permitir
a aplicação de um herbicida de ação
não sistêmico e não seletivo para
controle das plantas daninhas que emergem antes da cultura.
Existe informações de pesquisa que comprovam
que, mesmo com até 10 % das hastes rompendo a
barreira superficial do solo, é possível
aplicar um dessecante de contato (não sistêmico
– Paraquat, por exemplo) para dessecar as plântulas
de daninhas, reduzindo assim, o banco de sementes não
dormentes. Para esta modalidade de aplicação
sugere-se a aplicação de Paraquat ou Diquat,
na dosagem de 0,4 a 0,6 L/
ha, sem adjuvantes. Essa estratégia de manejo
reverte a vantagem competitiva adquirida pelo mato em
prol da cultura, sem lhe causar danos produtivos, mesmo
deixando a área sob o mato nos dias que antecedem
a emergência da maioria das hastes.
Antes da emergência das hastes, além
do Gramoxone e do Reglone, existe ainda a possibilidade
do uso
de Sencor (metribuzin) em dosagens de 0,8 a 1,5 L/ha,
no entanto, este herbicida apresenta alguma
deficiência no controle de gramíneas. O
produto pode ser aplicado sobre a cultura já
emergida, na dose mais baixa e com as hastes da batata
com até cinco cm de altura. O metribuzin é
sugerido em casos de infestações com predominância
de folhas largas anuais.
Após a completa emergência da cultura,
quando as plantas da batata estão com aproximados
15 a 20 cm
de altura, pode ser observado na entrelinha e mesmo
na linha, novas plantas daninhas oriundas de novos
fluxos de emergência do banco de sementes da área.
Neste momento, normalmente, é realizado o
processo, já mencionado, denominado de “amontoa”,
eliminando esse fluxos mecanicamente.
Quando a cultura atinge em torno de 40 dias após
o plantio e foi submetida ao processo de amontoa
há pelo menos dez dias em média, observa-se
a necessidade de aplicação de um herbicida
do tipo
graminicida. Neste momento, normalmente, as gramíneas
estão no estádio de início de perfilhamento,
tanto na entrelinha como na linha submetida ao processo
de amontoa. Nesta situação, recomenda-se
a aplicação de fluazifop-p-butil (Fusilade
125) ou fenoxaprop-ethyl (Podium). Ambos podem ser aplicados
na dosagem de 0,7 l/ ha, sem adjuvantes.
Caso as condições climáticas
e culturais, após a aplicação do
graminicida, forem adequadas, o batatal tende a fechar
a entrelinha com suas hastes vigorosas, e isto ocorre
em torno dos 50 dias após o
plantio em média, oscilando de acordo com a variedade
e o clima. Essa cobertura do solo, com a própria
planta da batata, tende a inibir novos fluxos de emergência
das plantas daninhas e, assim, dispensar novas medidas
de manejo de plantas daninhas. Entretanto, a cultura
sofre, constantemente, ataque de pragas e doenças
causadoras de desfolhas, como as pragas de épocas
secas, a vaquinha, a lagarta-rosca e a mosca-minadora
e as doenças, requeima, pinta-preta e canela.
Tais ocorrências abrem espaço para penetração
de luz no batatal, provocando novas quebras de dormência
do banco de sementes, as quais podem ser controladas
através dos mesmos graminicidas já
citados.
Em torno dos 70 dias após o plantio, a cultura,
normalmente, inicia a fase de “enchimento”
dos tubérculos, que consiste na translocação
dos fotoassimilados produzidos nas folhas para os tubérculos.
A partir daí, inicia-se um processo fisiológico
de redução do vigor das hastes do batatal,
com o amarelecimento e queda das folhas, gerando aberturas
na folhagem, e assim permitindo incidências de
luz solar no solo, propiciando a emergência de
algumas plantas daninhas de rápido desenvolvimento
que aproveitam o
excesso de nutrientes proveniente da adubação,
característico da cultura. No entanto, estas
plantas daninhas não devem ser motivo de preocupação
dos produtores, pois não irão interferir
na produtividade final da cultura, e serão eliminadas
através da operação de dessecação
normalmente feita em pré-colheita.
Se, por razões diversas, houver um atraso na
colheita, recomenda-se o monitoramento da infestação
das
gramíneas e possíveis novas aplicações
de graminicidas, no intuito de reduzir novas entradas
de sementes destas plantas no banco de sementes, e que,
conseqüentemente, representaria focos de infestação
na cultura subseqüente em rotação.
Antes de detalhar melhor o dessecamento da batata
para a colheita, vale ainda lembrar que para o controle
de plantas de folhas largas na cultura da batata após
a emergência da mesma, não existem herbicidas
seletivos registrados para a cultura. Vale também
destacar que o uso de haloxyfop (Verdict) na cultura
da batata é uma alternativa para eventuais falhas
de controle de gramíneas, uma vez que este produto
é um excelente graminicida, atuando inclusive
em plantas daninhas em estádios mais avançados
de desenvolvimento, onde os demais graminicidas não
atuam. Contudo, o controle tardio destas plantas pode
resultar em danos à produção das
plantas de batata, pela interferência do mato.
Na dessecação é importante destacar
que esta deve ser feita quando a planta de batata já
transferiu ao tubérculo a maior parte de suas
reservas nutricionais, quando ocorreu o máximo
de enchimento
e ganho de peso dos tubérculos. Neste momento,
é usado um produto de contato para dessecar as
plantas, sem que haja possibilidades de acúmulo
de resíduos do dessecante nos tubérculos.
A aplicação de Paraquat (Gramoxone) ou
Diquat (Reglone), sem a adição de adjuvantes
à calda, para a dessecação pode
ser feita tomando cuidado para que a planta da batata
não esteja sob condição de estresse
hídrico. Tal ocorrência poderia comprometer
a qualidade dos tubérculos, pois pode haver acúmulo
de resíduos do
dessecante, mesmo que o dessecante não seja sistêmico.
Os fabricantes dos dessecantes já citados recomendam
a dose de 2,0 L/ha, para ambos os dessecantes, contudo
tem sido observado na prática que a aplicação
seqüencial de 1,0 L/ha, com as aplicações
espaçadas em dois dias de intervalo entre as
pulverizações proporciona melhores resultados
que uma única aplicação.

Autor principal do trabalho, escrito em conjunto
com dois alunos de pós-graduação
do Programa de Pós-Graduação em
Fitotecnia da ESALQ/USP.
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