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Resíduos de agrotóxicos
na batata
Uma preocupação necessária
Gilberto Casadei de Baptista Professor Titular do Departamento
de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola.
ESALQ/USP CP 9 Piracicaba – SP, 13418-900 gcbaptis@esalq.usp.br
www.ciagri.usp.br/~larp
A Portaria 3, de 16 de janeiro de 1992, do Ministério
da Saúde, define resíduo de agrotóxico
como a
“substância ou mistura de substâncias
remanescentes ou existentes em alimentos ou no meio
ambiente
decorrente do uso ou da presença de agrotóxicos
e afins, inclusive quaisquer derivados específicos,
tais como produtos de conversão e de degradação,
metabólitos, produtos de reação
e impurezas, consideradas
tóxicas e ambientalmente importantes”.
Seja chamado como for: agrotóxico, pesticida,
produto fitossanitário, defensivo agrícola,
ou simplesmente
“veneno”, como prefere o agricultor, o fato
é que ele tem papel importante tanto na bataticultura
como na
agricultura, em geral. A grande maioria das pragas,
doenças e ervas daninhas, depende do uso de agrotóxicos,
para seu controle ou redução de prejuízos
causados por elas. Dependendo do ano,
o Brasil coloca-se entre o 3º e o 7º mercado
consumidor mundial de pesticidas, com o valor de cerca
de US$ 2,2 – 2,5 bilhões/ano. Os dois primeiros
são Estados Unidos e Japão.
A cultura da batata ocupou a 10ª posição
no mercado brasileiro no período de 1997-2001,
com gastos
anuais de cerca de 73 milhões de dólares,
em média, destacando-se, em primeiro lugar o
uso dos fungicidas (Batata Show, ano 3, nº 6, pags.22-23,
março 2003).
A importância da batata na alimentação
e a necessidade do uso de agrotóxicos para garantir
sua produção, deve, pois, levar o agricultor
a estar sempre alerta para a possibilidade da presença
de resíduos tóxicos nesse importante produto
agrícola.
Resíduos de pesticidas em alimentos são
uma preocupação das autoridades sanitárias,
pois podem causar problemas de saúde pública,
principalmente se os agrotóxicos não forem
usados de modo correto e observando-se as recomendações
técnicas.
A ANVISA – Agência Nacional de Vigilância
Sanitária do Ministério da Saúde
é o orgão federal responsável pela
legislação aplicável a resíduos
em alimentos. A ANVISA estabelece as monografias dos
produtos agrotóxicos de uso autorizado no Brasil,
nas culturas para as quais se destinam. Nessas monografias,
constam as tolerâncias ou limites máximos
de resíduos, estabelecidos caso a caso, que são
as quantidades permitidas de resíduos dos agrotóxicos
naqueles alimentos, decorrentes do seu uso,
segundo a boa prática agrícola. Também,
as monografias estabelecem o intervalo de confiança
(ou período de carência), que é
o intervalo de tempo, em dias, entre a última
aplicação e a colheita, que deve ser
observado pelo agricultor; por lei, ele deve fazer parte
das instruções do rótulo ou bula
das formulações comerciais dos agrotóxicos.
Outro problema que podem causar os resíduos
de pesticidas é que eles podem se tornar uma
barreira não-tarifária, constituindo-se,
assim, em obstáculos às nossas exportações.
Países importadores rejeitam a entrada de produtos
agrícolas por seus portos e aeroportos, se estes
possuírem resíduos em níveis acima
do que os legalmente aceitos. Assim, tem acontecido,
com certa freqüência, com nossas frutas tropicais
de exportação, especialmente mamão
papaia, manga e melão.
Com respeito à batata, a produção
de tubérculos subterrâneos é fator
de proteção contra a indesejável
presença de resíduos tóxicos, especialmente
se os agrotóxicos forem aplicados em pulverização
foliar. Entretanto, atenção especial deve
ser dispensada àqueles que são aplicados
via solo ou no tratamento de tubérculos; nesses
casos, a contaminação residual presente
no solo, por ocasião da colheita, pode ainda
ser transferida para os tubérculos. Desse modo,
a observação da boa prática agrícola
é importantíssima para assegurar a produção
de tubérculos saudáveis e, talvez com
resíduos, mas nesse caso, se presentes, sempre
abaixo das tolerâncias estabelecidas na lei.
Também, a lavagem dos tubérculos, para
sua comercialização, prática tão
comum entre os bataticultores pode auxiliar a produção
saudável.
Algumas vezes têm aparecido na mídia,
notícias de batata com alta contaminação
de resíduos de pesticidas. Tais notícias,
por vezes alarmistas e sensacionalistas, lançadas
sem o necessário acompanhamento da contra-prova,
têm causado grande prejuízo aos bataticultores,
além de exagerada e desnecessária preocupação
nos consumidores. Os produtores devem sempre aplicar
a boa prática agrícola, usando os agrotóxicos
da maneira correta, segundo as orientações
técnicas, observando o período de carência.
O Laboratório de Resíduos de Pesticidas
(LARP-USP), do Departamento de Entomologia, Fitopatologia
e Zoologia Agrícola, da ESALQ/USP, tem feito
pesquisas nessa importante área da ciência,
inclusive com a batata e também presta serviços
na realização de monitoramentos e
acompanhamentos.
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