| Os
nematóides na cultura de batata
Jaime Maia dos Santos - jmsantos@fcav.unesp.br - Prof.
Ass. Dr, Nematologista Unesp/Faculdade de Ciências
Agrárias e Veterinárias Depto. de Fitossanidade
e Centro de Manejo Integrado de Pragas - Via de Acesso
Prof. Paulo Donato Castellane s/nº 14884-900 Jaboticabal
– SP
Em culturas cujos produtos comercializados são
raízes ou tubérculos, tais como a batata,
as perdas qualitativas causadas pelos nematóides
têm muito maior relevância. Em termos mundiais,
atribui-se aos nematóides perdas anuais estimadas
em 12,2 % na cultura de batata (Barker, 1998). Além
dos danos diretos, os nematóides estão
envolvidos em doenças complexas da batata que
incluem outros patógenos, tais como Ralstonia
(=Pseudomonas) solanacearum, Verticillium alboatrum
e Rhizoctonia solani.
Principais Espécies de Fitonematóides
de Importância Econômica para a Cultura
da Batata no Brasil
Pelo menos 68 espécies de fitonematóides
de 24 gêneros já foram assinaladas, associadas
à cultura de batata em todo o mundo (JANSEN et
al., 1979). A importância econômica da maioria
delas ainda é desconhecida. Contudo, algumas
dessas espécies são pragas devastadoras
da cultura em algumas regiões, mas não
em outras. Felizmente, os nematóides não
se disseminam pelos seus próprios recursos e
as medidas de exclusão, impostas por razões
de quarentena entre países, regiões e
até mesmo por produtores individuais, têm
evitado a introdução desses nematóides
em novas áreas.

Fig. 1 - Eletromicrografias de
varredura de cistos de Globodera pallida. A) Forma característica
de cisto inteiro. B) e C) Região perineal (v
= vulva; a = ânus). D) Padrão de estriamento
da cutícula na median a dos cisto.
Os nematóides de cisto da batata - Globodera
pallida e Globodera rostochiensis, comumente chamado
nematóide dourado da batata - são dois
exemplos. Sem dúvida, são os mais danosos
para a cultura e, felizmente, não ocorrem no
Brasil. (Figura 1) Nacobbus aberrans, o falso nematóide
de galha, e Ditylenchus destructor (o nematóide
da podridão da batata) são outros dois
nematóides quarentenários e de grande
importância para a cultura. Todos esses nematóides
podem ser facilmente disseminados em batata-semente,
o que justifica o enorme esforço e zelo dos profissionais
do Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento que se dedicam à vigilância
sanitária no Brasil para impedir a introdução
dessas pragas em nosso País.
No Brasil, as espécies de nematóides
de galha Meloidogyne incognita e M. javanica, as espécies
de nematóides das lesões Pratylenchus
coffeae, P.brachyurus e P. penetrans e o nematóide
reniforme (Rotylenchulus reniformis) são os nematóides
chaves da cultura. Desses, os nematóides de galha
são os mais danosos. Com efeito, além
de sua ampla distribuição, a infecção
de tubérculos por esses nematóides os
torna imprestáveis para o comércio.
Os juvenis de segundo estádio vermiformes e
móveis eclodem dos ovos no solo e penetram nas
raízes e tubérculos. Tornam-se sedentários
e iniciam o processo de alimentação. À
medida que se desenvolvem, vão aumentando em
diâmetro, passando pela forma referida como salsicha
(Figura 2 A), até que, na fase adulta, as fêmeas
têm o formato de pêra (Figura 2 B) e, ao
contrário dos nematóides de cisto, ficam
imersas nos tecidos (Figura 2 C). Enquanto se desenvolvem,
em resposta à introdução de substâncias
produzidas pelas suas glândulas esofagianas nos
tecidos, ocorre aumento em número e tamanho das
células dos tecidos da planta, em volta do ponto
de penetração, resultando o caroço
a que chamamos de galha. As galhas nos tubérculos
variam de pequenas e numerosas, dando um aspecto áspero
à superfície, geralmente acompanhadas
de pequenas rachaduras, até grandes caroços
isolados (Figura 4 D). Os machos adultos desses nematóides,
assim como os dos nematóides de cistos, são
vermiformes, migradores e não se alimentam. Sobrevivem
enquanto as reservas de alimento em seus corpos, obtidas
nos tecidos da planta, enquanto estádios juvenis
permitirem.

Fig. 2 - Meloidogyne incognita
em batata. A) Eletromicrografia de varredurade um juvenil
parcialmente dissecado em uma raiz. B) Eletromicrografia
de varredura de uma fêmea adulta parcialmente
dissecada. C) Fotomicrografia de fêmeas adultas
(setas) em camadas subepidermais do tubérculo.
D) Tubérculos exibindo sintomas da infecção
(Barras da escala = 10 µm).
Entre os nematóides das lesões radiculares
(Pratylenchus spp.), pelo menos 15 espécies já
foram relatadas parasitando a batata ao redor do mundo
(BRODIE, 1998). Contudo, no Brasil, P. penetrans, P.
coffeae e P. brachyurus são as espécies
de importância econômica para a cultura,
com predominância de P. brachyurus sobre as demais.
Na Figura 3, está ilustrada a forma do corpo
da fêmea adulta de P. brachyurus, a região
anterior e a cauda. Essa espécie dos nematóides
das lesões radiculares é a mais distribuída
no Brasil. É encontrada em ecossistemas naturais
e agroecossistemas, infectando grande número
de espécies de plantas. Os espécimes em
diferentes estádios de desenvolvimento (machos
são muito raros) penetram as camadas subepidermais
causando lesões em forma de pontos escuros nos
tubérculos (Figura 2 D, setas). Migram continuamente
nos tecidos intra e intercelular e se reproduzem chegando
a alcançar níveis de população
maiores que 10.000 indivíduos em 10 g de cascas
de batata com cerca de 3 mm de espessura. Nesses casos,
geralmente as lesões são invadidas por
organismos secundários do solo, resultando em
necroses dos tubérculos. Tubérculos infectados,
quando armazenados, podem apodrecer em menos tempo que
tubérculos sadios. Em raízes e radicelas,
extensas necroses são usualmente observadas,
especialmente, nos casos de infecção por
P. penetrans.

Fig. 3 - Fotomicrografias de Pratylenchus
brachyurus. A) Fêmea inteira. B) Região
anterior. C) Região posterior (v = vulva; a =
ânus).
O nematóide reniforme (Rotylenchulus reniformis)
é uma das espécies mais distribuídas
em países tropicais e subtropicais do mundo.
Foi descrito de uma amostra de solo e raízes
de caupi (Vigna unguiculata Walp.), coletada no Havaí.
Juvenis e fêmeas jovens do nematóides podem
ser encontrados completamente imersos nos tecidos da
planta hospedeira. Entretanto, na fase adulta, usualmente
as fêmeas e suas massas de ovos são observadas
externamente aos tecidos da planta (Figura 4 A, B, D),
sendo que, apenas a região anterior é
vista imersa nos tecidos (Figura 4 C). Trata-se, pois,
de um semi-endoparasito em cuja extensa lista de plantas
hospedeiras incluise a batata e outras solanáceas,
inclusive mais de 300 espécies pertencentes a
77 famílias botânicas(ROBINSON, et al.,
1997).
As Práticas de Manejo: O bataticultor poderá
reduzir os riscos de perdas em suas colheitas, apenas
adotando o monitoramento sistemáticoda população
de nematóides em suas áreas. A infestação
das áreas pelos nematóides de galha (Meloidogyne
spp.), principais espécies de importância
econômica para a cultura no Brasil, precisa ser
determinada na época do plantio. O monitoramento
das culturas em andamento permite o conhecimento parcial
da área, quanto à infestação
pelos nematóides, e já fornecem subsídios
que indicam onde as amostragens não devem ser
negligenciadas. Áreas das lavouras que exibem
plantas com desenvolvimento abaixo do esperado ou que,
por ocasião da colheita, apresentaram um maior
percentual de tubérculos fora do padrão
habitual, com pequenos pontos escurecidos na casca ou
com sintomas de galhas, devem ser amostradas. Amostras
compostas de solo e tubérculos deverão
ser coletadas nessas partes das lavouras e encaminhadas
para análise. Uma pequena porção
de solo da rizosfera e um ou dois tubérculos
desses locais deverão compor cada amostra simples.
Essas poderão ser
coletadas em um balde, à medida que se caminha
pela área em inspeção. Cinco a
10 amostras simples constituirão uma amostra
composta. Em seguida, essas amostras deverão
ser homogeneizadas, sendo retirados cerca de meio litro
de solo e 3 a 5 tubérculos para compor a amostra
composta. Essa amostra deve ser acondicionada em um
saco plástico, devidamente identificada e encaminhada
para análise em um laboratório especializado.

Fig. 4 - Eletromicrografias de
varredura de Rotylenchulus reniformis. A) Fêmea
adulta parcialmente envolta pela massa de ovos na superfície
da raiz. B) Fêmea adulta e sua massa de ovos após
a remoção do material gelatinoso que geralmente
as envolve na superfície da raiz. C) Fêmea
adulta com a região anterior imersa nos tecidos
da raiz. D) Colônia de fêmeas adultas do
nematóide em um segmento de raiz.
O manejo dos nematóides na cultura de batata,
assim como em muitas outras, requer uma atitude contínua
de vigilância por parte do pessoal de campo. Em
geral, a cultura anterior fornece as indicações
sobre a infestação e indica se alguma
medida deve ser adotada para reduzir a população
dos nematóides na área, ou em algumas
partes dela, na época do plantio da cultura subseqüente.
Na prática, o manejo racional da população
denematóides é obtido com a adoção
de várias táticas, ao longo do tempo,
em vez de uma única medida. Entre as opções
de táticas de manejo, tem-se: 1) quarentena;
2) práticas culturais; 3) manejo químico;
4) uso de variedades resistentes; 4) manejo biológico;
5) uso de plantas geneticamente modificadas; 6) manejo
integrado.
Quarentena – A quarentena usualmente é
praticada com leis federais, estaduais ou até
mesmo municipais, promulgadas com o propósito
de impedir a introdução de material infestado
(com terra aderente) ou infectado (contendo nematóides
internamente) em uma área até então
isenta. Cada produtor deve impor a si próprio,
médias de quarentena, não trazendo nem
permitindo que tragam para suas áreas materiais
de propagação de outras regiões,
à margem das normas legais em vigor. Com efeito,
a utilização de batata-semente isenta
de nematóides é o primeiro passo na luta
contra essas pragas. Práticas culturas –
A remoção de batatas infectadas da área
por ocasião da colheita é muito importante.
Caso contrário, os nematóides irão
multiplicar-se nesses tubérculos e migrarão,
posteriormente, para o solo, mantendo ou até
aumentando a infestação da área.
A prática conhecida como alqueive, que consiste
na manutenção do solo limpo, para as condições
do Brasil, onde não ocorrem os nematóides
de cisto da batata, pode ser uma alternativa auxiliar
de grande relevância.
Os nematóides em geral, à exceção
dos nematóides de cisto, não suportam
o dessecamento do solo. Por conseguinte, alqueivar o
solo nos períodos mais quentes do ano, em combinação
com gradagens sucessivas pode, por si só, propiciar
o manejo dos nematóides em batata no Brasil.
Outra prática cultural relevante é a rotação
de culturas. Para fins de manejo da população
de nematóides, a rotação de culturas
pressupõe que a cultura subseqüente seja
resistente ao nematóide predominante na área.
É, pois, um pré-requisito o conhecimento
das espécies que ocorrem na área, tendo
em vista a elaboração de esquemas de rotação
que sejam eficazes para a redução da população
de uma espécie particular. Assim, o cultivo de
feijão, após um ciclo de batata, é
sempre uma prática de muito risco, visto que
as variedades de feijão disponíveis geralmente
são muito suscetíveis aos nematóides
de galha, a P. brachyurus e a R. reniformis. A escolha
da espécie de planta e da variedade para compor
o esquema de rotação, visando o manejo
de nematóides, pois, deve levar em consideração,
também, a ocorrência de outras espécies
dos nematóides chaves da batata na área,
mesmo que em baixos níveis de população,
visto que a cultura e a variedade escolhidas podem favorecê-las,
comprometendo a eficácia da medida. Algumas variedades
de milho podem reduzir a população de
Meloidogyne spp. e de R. reniformis e aumentar a de
P. brachyurus. A rotação de batata com
amendoim pode ser uma alternativa vantajosa. Entre os
nematóides de galha, apenas a raça 1 de
M. arenaria é tida como importante praga da cultura
e, no Brasil, não há registros de sua
ocorrência nem de outros nematóides como
causa de perdas significativas para a cultura. No estado
de São Paulo, essa cultura vem sendo usada com
sucesso em rotação com a cana-de-açúcar
para fins de manejo de nematóides. Além
do benefício no manejo dos nematóides,
a receita com a venda do amendoim colhido na área
pode ser significativa.
Não é o caso da utilização
de plantas antagonistas como as espécies de Crotalaria.
Essas geralmente, são incorporadas ao solo na
época da floração. Essas plantas
possuem ação antagonista que atrai os
juvenis dos nematóides (Meloidogyne spp.) e estes
morrem dentro das raízes, antes de completarem
o ciclo de vida. Por serem, também, plantas leguminosas,
além do benefício no manejo dos nematóides,
são importantes fontes de nitrogênio e
de matéria orgânica. A mucuna preta, também
citada como antagonista aos nematóides de galha,
tem comprovada eficácia contra M. incognita,
mas não contra M. javanica. Como esses nematóides
são sérios problemas para a batata no
Brasil, e têm ampla distribuição
nos nossos solos, sua utilização deve
ser precedida de uma criteriosa identificação
das espécies presentes na área.
Manejo químico - O manejo químico é
um importante aliado na luta contra os nematóides,
outras pragas e doenças. Na prática, entretanto,
não deve ser visto como a única nem a
mais eficaz das medidas disponíveis. No presente,
cerca de 11 produtos nematicidas estão registrados
para uso na cultura da batata no Brasil. Além
desses, também estão registrados outros
83 inseticidas, 99 fungicidas, 9 bactericidas, 39 acaricidas,
16 herbicidas, cinco reguladores de crescimento e dois
cupinicidas (MIYASAKA, 2003).
Uns dos principais cuidados de parte dos produtores
na escolha de um nematicida para a batata é a
observância do período de carência.
Trata-se do período entre a aplicação
do nematicida e a colheita da batata. O período
de carência determina, pois, se um certo produto
pode ou não ser utilizado na amontoa. Essas instruções
e outras são encontradas nas embalagens dos nematicidas
e devem ser lidas e criteriosamente obedecidas como
medida de segurança, tanto para os que trabalham
diretamente com esses produtos como para os consumidores.
Como os recursos tecnológicos para detecção
de resíduos de agroquímicos nos mais variados
tipos de produtos vêm sendo cada vez mais aperfeiçoados
e as preocupações relativas à proteção
do meio ambiente são crescentes em todo mundo,
há necessidade, urgente, de investimentos em
pesquisas para o desenvolvimento de alternativas ao
controle químico. Nos EUA, a contaminação
do lençol freático e outras implicações
de natureza toxicológica e ambiental, decorrentes
do uso de nematicidas, fizeram com que todos esses produtos
fossem banidos da cultura de batata. Dificilmente, pois
a batata produzida em qualquer parte do mundo, com o
emprego excessivo de agroquímicos, teria acesso
a esse mercado.

Figura 5. Nematóides capturados
por fungos nematófagos. A) Fungo nematófago
não identificado capturou o nematóide
com um anel constritor atípico e já exibia
crescimento micelial dentro do corpo do nematóide
(seta). B) Fungo nematófago penetrando o corpo
do nematóide. C) Nematóide capturado por
dois anéis constritores do fungo nematófago
Arthrobotrys brochopaga. D) Nematóides capturados
por ramos adesivos (setas) do fungo Monacrosporium robustum.
A resistência de cultivares de batata aos nematóides
de cisto é largamente utilizada em países
europeus e nos EUA para manejo dos nematóides
de cisto. Na Europa, o uso combinado de variedades resistentes
com nematicidas tem sido uma prática comumente
utilizada, especialmente na Inglaterra.
Nas regiões de clima frio do mundo, os nematóides
de cisto da batata são pragas de maior importância
econômica que os nematóides de galhas para
a cultura. Por conseguinte, já foram desenvolvidas
variedades resistentes às principais raças
do nematóide dourado da batata (G. rostochiensis),
especialmente, as raças 1 (Ro1) e a raça
4 (Ro4). Embora, já sejam conhecidas várias
fontes de resistência aos nematóides de
galha, tanto em materiais selvagens como em espécies
cultivadas de Solanum, ainda não dispomos de
cultivares comerciais de batata resistentes às
espécies de Meloidogyne que predominam em nossos
solos. Jatala e Rowe (1976) demonstraram que S. sparsipilum
é uma boa fonte de resistência a M. incognita,
M. javanica e M. arenaria. Como fonte de resistência
a M. hapla, poderia ser utilizada S. tuberosum ssp.
andigena, conforme demonstrado por Brodie e Plaisted
(1977). Essa subespécie, nativa da América
do Sul, e outras espécies selvagens de Solanum,
também são consideradas fontes de resistência
ao falso nematóide de galha que, conquanto não
ocorra no Brasil, é tido com uma constante ameaça
para a bataticultura brasileira, visto que está
largamente distribuído Argentina. No Brasil,
M. incognita e M. javanica são as espécies
chaves predominantes, embora em regiões de maior
altitude, como no Alto Paranaíba em MG e outras,
M. hapla também seja encontrada.
Para os nematóides das lesões radiculares
(Pratylenchus spp.) não são conhecidas
fontes de resistência. Sabe-se, contudo, que certos
cultivares de batata são mais tolerantes a P.
penetrans que outros, mas os resultados dos estudos
não são conclusivos.
Vencidas as questões legais que envolvem a utilização
de plantas geneticamente modificadas, as espécies
cultivadas e selvagens de amendoim (Arachis spp.), por
exemplo, poderão prover genes de resistência
aos principais nematóides da batata. Os obstáculos
para utilização de plantas transgênicas,
hoje, são muito maiores nos tribunais que nos
laboratórios.
O controle biológico também pode ser
um importante aliado. De fato, há vários
organismos do solo que se alimentam de nematóides.
Entre esses, no momento, os fungos são os mais
promissores, notadamente os que produzem armadilhas
que capturam os nematóides, chamados fungos predadores.
Em verdade, já há nematicidas iológicos
formulados à base de fungos nematófagos
em outros países. Na Figura 5, foram ilustrados
alguns nematóides capturados por fungos nematófagos
documentados em estudos que vêm sendo realizados
no Laboratório de Nematologia da Unesp/FCAV,
Câmpus de Jaboticabal - SP. Os resultados obtidos
no controle biológico de M. javanica em crisântemos
de corte sob cultivo protegido, utilizando-se alguns
desses fungos, sinalizam com a possibilidade de dispormos
de formulações comerciais nos próximos
anos. A possibilidade de aplicação dessas
formulações em campos de produção
de batata infestadas por nematóides, sobre as
reboleiras, poderá viabilizar a utilização
dessa alternativa. O emprego de formulações
de fungos nematófagos, concomitante, com nematicidas
granulados, inclusive, potencializa o aumento da eficácia
de nematicidas tradicionais em dosagens mais baixas,
já que os nematicidas, em geral, têm ação
inseticida, mas não fungicida. Na prática,
a eficácia do controle de nematóide com
menor impacto sobre o ambiente, certamente, dependerá
da combinação de algumas dessas táticas
de manejo. O uso de apenas uma delas, isolada, dificilmente
traria benefícios estáveis e duradouros.
Contudo, o produtor que adotar práticas de manejo
integrado dessas pragas tem muito mais chances de sucesso.
A escolha de batata-semente isenta de nematóides,
o plantio em áreas não infestadas, a remoção
de batatas com sintomas da infecção das
áreas, por ocasião das colheitas, a rotação
de culturas, a utilização de plantas antagonistas
e outras são medidas que, combinadas, podem permitir
significativa redução de agroquímicos
na cultura com vantagens econômicas, ecológicas
e de qualidade.
Bibliografia: Consultar autor
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