Resistência
de variedades comerciais de batata ao pulgão Myzus
persicae e ao vírus Y
Fernando J. Sanhueza Salas (Pesquisador Científico,
Instituto Biológico-LFF, São Paulo, Doutorando
ESALQ-USP – Piracicaba): salas@biologico.br
Alberto Fereres (CCMA-CSIC, Espanha) João R.Spotti
Lopes (ESALQ-USP, Piracicaba)
Os afídeos (Hemiptera; Sternorrhyncha) são
insetos sugadores importantes como pragas de plantas
cultivadas em várias regiões do mundo,
particularmente na zona temperada, devido à grande
capacidade de multiplicação e hábito
alimentar polífago de muitas espécies.
Os principais problemas que esses insetos causam às
culturas podem ser divididos em: a) danos diretos devido
à sua alimentação sobre a planta
hospedeira, resultando em subseqüente retirada
de nutrientes e, b) danos indiretos, envolvendo a transmissão
de fitovírus, ação toxicogênica
por substâncias introduzidas via saliva e até
mesmo o favorecimento de fungos saprófitas (fumagina)
que crescem sobre excrementos açucarados (honeydew)
dos afídeos. Em batata, os afídeos se
destacam pela transmissão de muitos vírus,
principalmente o vírus do enrolamento das folhas
da batata e várias espécies de Potyvirus
(Martínez-García et al., 2001).
Entre as principais técnicas de controle de pragas
adotadas mundialmente, destaca-se a resistência
de plantas (Salas, 2001), seja esta empregada visando
o inseto, ou em trabalhos relacionados com a resistência
ao fitovírus, inclusive no processo de transmissão.
Em estudos desenvolvidos em 2002, realizados em conjunto
com o Dr. Alberto Fereres do Laboratório de Entomologia
do Centro de Ciências do Meio Ambiente (CCMA-CSIC,
Madri, Espanha) e o Prof. J.R. Spotti Lopes (ESALQ-USP),
foi possível avaliar alguns cultivares comerciais
amplamente empregados no Brasil e suas respostas frente
a três isolados do vírus Y da batata (Potato
virus Y – PVY) (isolados da Espanha) e ao afídeo
vetor, Myzus persicae. Para tal, realizaram-se testes
com as variedades: Agata, Jaette Bintje, Mondial, Monalisa
(Brasil) e Santè (Espanha) que visaram avaliar
a porcentagem de transmissão de PVY, taxas de
desenvolvimento (antibiose) e a não-preferência
(antixenose) por afídeos, além de ensaios
para determinar o vetor mais eficiente desses isolados.
Em resultados preliminares, obtidos em laboratório,
verificou-se que quando se compara a eficiência
de transmissão dos isolados de PVY por Aphis
gossypii e M. persicae, este último se mostra
mais eficiente (Figura 1), no entanto, observa-se que
A. gossypii também transmite os isolados.
Quanto à transmissão de isolados de PVY
por M. persicae para diferentes cultivares de batata,
observou-se uma variação na porcentagem
de infecção de acordo com o isolado testado,
implicando em diferentes ní-veis de resistência
(Tabela 1), sendo a variedade espanhola Santè
resistente a todos os isolados. Esta variedade foi desenvolvida
pela NEIKER/País Basco e, quando desafiados com
isolados de PVY oriundos da Espanha, apresentou resultados
promissores.
As demais variedades testadas mostraram, no máximo,
uma resistência modera-da aos mesmos vírus
(Tabela 1). Os resultados preliminares dos experimentos
de antibiose indicaram que M. persicae se desenvolve
nas três variedades avaliadas, Agata, Jaette Bintje
e Monalisa, porém com uma taxa menor em Monalisa,
quando comparada com as demais. Ao comparar as cinco
variedades em experimentos de livre escolha (antixenose),
detectou-se uma maior preferência alimentar por
Mondial e nenhuma diferença significativa entre
as demais. Com estes resultados pode-se recomendar,
de acordo com o tipo de infecção mais
freqüente em campo, uma variedade onde os pulgões
se reproduzam menos ou mais lentamente e que possua
uma resistência moderada ao PVY, minimizando perdas.
Um controle eficiente de vírus transmitidos
por pulgões em hortaliças depende de uma
estratégia de âmbito geral, empregando
diversas táticas, sejam estas com enfoque no
manejo da cultura (medidas de controle dirigida às
fontes de vírus e ao inseto-vetor) e resistência
varietal. Uns exemplos são os testes realizados
na Espanha, empregando-se dois ou mais métodos
de controle combinados. Nestes ensaios, em alface, empregam-
se coberturas (Agrotêxtil, um não tecido)
que funcionam como barreiras físicas para o inseto
vetor, aliadas ao uso de inseticidas - este mesmo modelo
também pode ser empregado na cultura de batata,
para tal, há a necessidade da interação
entre o trinômio produtor/extensionista/pesquisador
no intúito da melhora da produção,
prin-cipalmente na cultura de batata.
Referências Bibliográficas:Consulte
os autores
Agradecimentos:
CNPq – pela bolsa de estudos concedida (SWE);
CCMA/CSIC, Madrid Espanha; Cooperativa Agrícola
de Capão Bonito – CACB; Engº Agron.
Natalino Shimoyama – ABBA/ABASP; Dr. Javier Legorburu
-Centro de Mejora de la Patata - NEIKER, Vitoria País
Basco, Espanha; e ESALQ-USP, Piracicaba