| Pesquisa parada
A falta de integração do segmento e também
de incentivos governamentais impede o desenvolvimento
de trabalhos de pesquisas na cadeia produtiva da batata
e estimula a entrada e o consumo do produto importado
A situação atual da pesquisa na cadeia
brasileira da batata e também de muitas
outras cadeias produtivas destinadas ao abastecimento
do mercado interno é
péssima e a tendência é que vai
continuar piorando...
Podemos atribuir de forma geral como as causas desta
inaceitável situação motivos internos
e externos as cadeias produtivas e principalmente a
política dos últimos governos do Brasil.
Os principais motivos internos estão diretamente
relacionados à falta de integração
profissional que ocorre muitas vezes dentro do próprio
segmento (desunião entre produtores, pesquisadores,
técnicos etc.) e entre os segmentos das cadeias
produtivas (desunião entre produtores e atacadistas,
atacadistas e varejistas etc.). O motivo desta
falta de integração é basicamente
cultural, ou seja, ao invés de praticar um ganha
– ganha sempre, cada lado procura praticar a Lei
de Gerson.
As conseqüências desta falta de integração
impedem a definição e a realização
de trabalhos de pesquisas urgentes, sustenta a concorrência
entre pesquisadores ao invés de uma sinergia,
possibilita a realização de trabalhos
que não têm nenhuma utilidade prática,
gera oportunidades e incentiva o consumo de batatas
importadas ou de outros
alimentos etc.
Como motivos externos que contribuem para a decadência
da pesquisa dos problemas das cadeias produtivas destinadas
ao abastecimento do mercado interno destacamos as importações
(totalmente desnecessárias) de produtos similares
aos produzidos no Brasil. Para que importar alho, batata,
cebola, tomate etc?
Infelizmente estas cadeias produtivas são tratadas
como moedas de troca – eu te dou soja e você
me dá alho e brinquedos, eu te dou cebola e você
me dá linha branca de eletrodoméstico,
eu te dou frango e você me dá batata pré-frita
congelada.
As
conseqüências desta falta de integração
impedem a definição e a realização
de trabalhos de pesquisas urgentes, sustenta a concorrência
entre pesquisadores ao
invés de uma sinergia
Quanto à colaboração negativa
da política do Brasil podemos considerar como
marco inicial a abertura das fronteiras comerciais na
década de 80. A partir desta data a falta de
sensibilidade, remuneração indecente,
falta de reconhecimento profissional, falta de renovação
de pesquisadores, cortes de verbas e falta de investimentos
etc. se tornaram
fatores decisivos para praticamente destruir quase todas
as principais instituições de pesquisa
do país.
Considerando que o mundo é de quem faz e que
é uma grande ilusão esperar que haja uma
reviravolta ou um milagre, sugerimos que as cadeias
produtivas destinadas ao abastecimento interno se organizem
e priorizem o segmento da pesquisa através da
renovação de pesquisadores, realizem pesquisas
junto aos consumidores para conhecer suas necessidades,
realizem pesquisas para criação de novas
variedades, testem opções de novas culturas
ou atividades, realizem pesquisas para solução
de problemas relacionados à produção
etc.
No caso específico da cadeia da batata sugerimos
pesquisas para a criação de variedades
multiuso, nutrição da batata, controlar
ou amenizar os problemas causados
por sarna comum, sarna prateada, mosca branca , murchadeira,
modernizar o sistema de classificação
de batata consumo, evitar danos ao meio ambiente, pesquisas
para industrialização da batata , pesquisa
para aproveitar o descarte da produção;
modernizar as legislações etc.
Sem pesquisas estamos importando cada vez mais... se
importamos não geramos
empregos no Brasil... sem emprego não há
salário... sem salário não há
consumo... sem consumo aumenta a marginalidade...

Fonte: Revista Cultivar HF – Outubro / Novembro
2007
http://www.cultivar.inf.br
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